Palestra do Culto Mensal de Agradecimento – Sede Central – Abril 2021

PALESTRA DO PRESIDENTE DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL DE PORTUGAL

REV. CARLOS EDUARDO LUCIOW – ABRIL 2021

Bom dia a todos!
Como os senhores estão a passar? Estão todos bem?

Gostaria de agradecer a vossa sincera dedicação que nos possibilita expandir cada vez mais a Obra Divina em toda a Europa! Muito obrigado!

Mesmo perante todas as restrições em vigor, este mês, consegui estar presente na Sede Central a oficiar este Culto, felizmente, com a presença dos Ministros da Expansão. Estamos todos unidos no mesmo sentimento e tenho a certeza de que a Luz de Deus e Meishu-Sama chegou aos vossos lares.

Gostaria de dar as boas-vindas a quem está a assistir a este Culto pela primeira vez e a todos os membros e frequentadores que estão a participar nesta transmissão online, tanto em Portugal, como em outros países. Sejam todos muito bem-vindos!

Face ao plano de desconfinamento em vigor, a partir de amanhã, segunda-feira, dia 5 de abril, as Unidades Religiosas passarão a funcionar normalmente, sendo, por este motivo, interrompida a transmissão online dos Cultos Diários a partir da Sede Central. Gostaria de agradecer ao Ministro Araújo e ao Estagiário Lopo, assim como aos seus familiares, pela realização desta dedicação durante 68 dias consecutivos. Muito obrigado!

Este mês, assinala-se a centésima edição do nosso Boletim Informativo que, ao longo dos últimos 7 anos, tem sido um importantíssimo meio de divulgação dos Ensinamentos de Deus revelados a Meishu-Sama, Experiências de Fé, Orientações da Sede Central, entre outros conteúdos pertinentes à prática da Fé Messiânica. Gostaria de agradecer a todos os dedicantes que ao longo destes anos têm participado neste projeto e, particularmente, ao Sr. José Rodrigues da Silva Cajado, pela dedicação incansável e pelo distinto design e edição, desde o início. A partir desta edição comemorativa, teremos uma nova apresentação gráfica que, objetivando elevar o espírito das pessoas através da apreciação do Belo, dará destaque às maravilhosas imagens dos Solos Sagrados que, certamente, os senhores apreciarão bastante!

No Ensinamento do Culto de hoje, “Compreenda a Vontade Divina”, do Alicerce do Paraíso vol. III, edição portuguesa, Meishu-Sama orienta-nos:

“Conforme escrevi anteriormente, o ser humano nasceu com o dever de construir o Mundo Ideal – propósito de Deus – e, caso esteja em consonância com esse objetivo, trabalhará sempre com alegria, sem doenças e desgraças. Eis a Verdade eterna. No entanto, é inevitável que acabe por adoecer devido às toxinas medicamentosas herdadas dos seus Antepassados e, por desconhecer o que é correto, acaba também por introduzi-las no seu corpo após o nascimento. (…)
As pessoas que desconhecem este facto, utilizam a toxina denominada medicamento para conter as doenças. Uma vez que o recurso a tais toxinas está em total desacordo com a Verdade, não é possível obter a cura desejada. (…)”

É maravilhoso como Meishu-Sama, de forma tão clara e direta, nos esclarece sobre as causas do problema e apresenta-nos a solução. O importante é termos a mente livre das barreiras criadas pelo materialismo e a força espiritual para pragmatizar os Ensinamentos, força esta que encontraremos somente nas práticas básicas da fé.

Antigamente, as pessoas sentiam-se “perdidas e desorientadas” por falta de informação; hoje em dia, estão ainda mais “perdidas e desorientadas”, mas pelo excesso de informação, geralmente confusa e, às vezes, até contraditória. Outro aspeto é que, muitas pessoas, atualmente, procuram tornar-se famosas nas redes sociais, dando preferência ao número de “likes” recebidos, em detrimento do número de pessoas que por elas sentem gratidão. Mais do que ser famoso, o fundamental é ser importante na vida de alguém. E como é que nos tornamos importantes para alguém? É quando nos empenhamos, de corpo e alma, na sua felicidade, estando ao seu lado nos momentos de sofrimento; quando a pessoa sabe que pode contar connosco em qualquer circunstância!

Este caos que reina na sociedade, leva as pessoas que não possuem verdadeira fé a isolar-se, deprimir-se, tornam-se apáticas, tristes, negativas, aumentando significativamente os casos de separações, o agravamento da situação financeira que leva muitas famílias ao desespero e algumas, chegam até ao ponto de pensar em suicídio por não conseguirem ver uma saída. Não será exagero dizer que esta é a situação do mundo atual que, apesar de tudo, ainda continua a buscar no materialismo a solução para os seus problemas. Eis os motivos pelos quais não temos outra saída senão nortear a nossa vida tendo por base a Divina Orientação dos Ensinamentos revelados a Meishu-Sama.

Neste sentido, Meishu-Sama orienta-nos que, não somente a doença, como também os demais infortúnios, são ações purificadoras, que têm como objetivo purificar e elevar o nosso espírito. Meishu-Sama faz uma analogia do ser humano com um recipiente sujo que precisa de ser limpo antes de ser utilizado. Suportando esta “limpeza” sem vacilar, certamente desfrutaremos de inesperadas e magníficas graças, tornando-nos capazes de ser utilizados por Deus na construção do Paraíso Terrestre.

A própria vida de Meishu-Sama foi um exemplo prático desta Orientação Divina de que a purificação é o próprio Amor de Deus, pois é através desta que nos salvamos!

Quando a purificação nos causa dor, incómodo ou nos deixa inseguros, acreditando ter risco de vida, não conseguimos aceitar essa Verdade somente pelo raciocínio humano, motivo pelo qual devemos ler os Ensinamentos com o coração, conforme a Reminiscência publicada no último Boletim Informativo: “Leia avidamente com o coração”, na qual, um chefe de Igreja procurou Meishu-Sama para tratar de alguns assuntos e após várias orientações, Ele perguntou-lhe:

– “Você está a ler os Ensinamentos de Deus?”
– “Estou.”
– “Estranho… acho que você não os está a ler.”
– “Aliás, leio até várias vezes.” – retrucou.
Então, Meishu-Sama perguntou-lhe:
– “Com que parte do corpo você lê?”
Ante uma pergunta tão inusitada, sem jeito, respondeu:
– “Leio com os olhos!”
– “Então, está a ler com isto, não é?” – Meishu-Sama perguntou, apontando para os olhos.
– “Sim!”
“Assim não adianta. Se o Ensinamento não está a ser posto em prática, é como se você não o estivesse a ler. Portanto, leia avidamente com o coração e não somente com a cabeça.”

Além disso, ao enfrentar uma purificação, é fundamental a pessoa receber apoio e assistência por parte da família, dos amigos e dos membros da Igreja, pois sozinha, torna-se muito mais difícil de superar as dificuldades.

Conforme mencionado na palestra do último Culto Mensal pela Salvação dos Antepassados e Reforma da Sede Central, Meishu-Sama orienta-nos que Kannon é a manifestação misericordiosa de Deus, e que, através dessa compaixão, é Ele que perdoa os pecados, promovendo a eliminação das nuvens espirituais.

No Ensinamento “Pessoa simpática”, do Alicerce do Paraíso vol. IV, edição portuguesa, Meishu-Sama revela-nos como se manifesta esse amor Kannon, na prática:

“(…) Quando vejo uma pessoa a sofrer por doença, não consigo ficar parado e impassível, sinto vontade de a curar a qualquer custo. Ministro-lhe Johrei, ela é curada e fica feliz. Ao ver a sua alegria, esta reflete-se em mim e sinto-me feliz também. (…)”

Num Sutra, consta que Kannon, ao atingir o Nirvana – estado de máxima iluminação e sabedoria – às portas do Paraíso búdico, ouviu os lamentos das pessoas que sofriam no mundo e, ao voltar-se, olhando para baixo, deparou-se com um infinito número de sofredores. Naquele momento, movido pelo mais alto nível de compaixão, desistiu de entrar no Paraíso e resolveu permanecer na Terra com o desejo de salvar todas as criaturas sencientes, até à última!

Quando se fala de misericórdia e compaixão, por norma, associa-se de forma errada ao sentimento de pena. Pelo contrário, a compaixão é um sentimento piedoso de empatia para com a tragédia dos outros, que vem sempre acompanhado do desejo de as minorar. Trata-se de uma participação espiritual na infelicidade alheia, que suscita um impulso altruísta de ternura para com quem sofre. É um sentimento pelo qual o individuo percebe emocionalmente o sofrimento do próximo, desejando aliviá-lo. E neste, incluem-se os sentimentos de: gentileza, caridade, misericórdia, comiseração, compaixão, humanidade e piedade. O oposto da compaixão é a indiferença, a frieza, a insensibilidade, a apatia, etc., sentimentos estes, infelizmente, muito comuns nos dias de hoje.

Existe a compaixão natural que é, por exemplo, a que as mães nutrem pelos filhos e esta, pertence à natureza instintiva. A compaixão de Kannon, por sua vez, é uma compaixão de nível superior que, com o desejo de salvar a todos indistintamente, não julga o Bem e o Mal. É desinteressada e não visa qualquer benefício.

Ao criarmos o objetivo de desenvolver esse nível de compaixão, poderemos ser colocados à prova, tendo que enfrentar situações nas quais seremos tentados a julgar; se o fizermos, não conseguiremos desenvolver esse nível de amor, capaz de salvar indistintamente. Ter este sentimento por pessoas bondosas, sofredoras, injustiçadas, etc., é algo que surge espontaneamente; o difícil, é sentirmos esse mesmo nível de amor por pessoas que fazem os outros sofrer.

Sobre a incapacidade do ser humano em julgar o Bem e o Mal, Meishu-Sama, no Ensinamento de hoje, mais uma vez, orienta-nos:

“(…) Consideremos dois irmãos com índoles diferentes: um é rebelde e esbanjador, o outro é honesto e íntegro. Aparentemente, o primeiro é mau e desonra a linhagem familiar. Todavia, ao analisarmos de forma ampla, é o oposto, pois na questão da eliminação dos pecados e impurezas dos Antepassados, a sua missão assume maior importância. Por esta razão, com base nos critérios humanos, não é possível determinar o Bem e o Mal. (…)”

Muitas pessoas acreditam que civilização é sinónimo de ciência, mas, anos atrás, um aluno perguntou à famosa antropóloga Margaret Mead o que considerava ser o primeiro sinal de civilização em qualquer cultura. O aluno esperava que a antropóloga falasse em utensílios de barro, armas, instrumentos de caça e pesca, etc., mas a resposta foi diferente. Por incrível que pareça, ela disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura tratava-se da cura de um fémur partido (osso da coxa). Explicou que no reino animal, qualquer um que parta esse osso, acaba por morrer, pois, nesta situação, fica em perigo de vida, por não conseguir sequer chegar a um rio para beber água ou sair para procurar alimento. Tratando-se de uma presa, também não conseguirá fugir dos seus predadores. Nenhum animal sobrevive sozinho a uma perna partida por tempo suficiente até que o osso possa naturalmente curar. Um fémur curado, é sinal de que alguém se dedicou àquele que esteve ferido, protegendo-o e nutrindo-o, até que se recuperasse. Portanto, o ato de ajudar quem necessita, é o princípio fundamental de qualquer civilização. Assim, não seria descabido dizer que o amor Kannon está na base da verdadeira civilização.

Hoje, ouvimos a maravilhosa Experiência de Fé da Sra. Ana Clara de Carvalho Lima, do Johrei Center de Barcelona, que após ter passado por muitos sofrimentos no Brasil, mudou-se para Espanha, na esperança de uma vida melhor. Mas, mesmo tendo mudado de país, como a causa do sofrimento está nas nuvens espirituais, as dificuldades persistiram.

Perante todos os obstáculos, tinha muito apego e dificuldade para realizar os donativos de gratidão, pois sentia medo que, fazendo-os, a situação piorasse, pois este é um raciocínio matemático materialista. Assim, foi orientada pelo seu Ministro a não ter medo e a compreender que os donativos são a materialização da nossa gratidão a Deus e Meishu-Sama e, que através destes, ganhamos a permissão de crescer e prosperar. Posteriormente, lembrou-se também da orientação do Ministro que a acompanhava no Brasil, o qual lhe disse que, face às dedicações e ao donativo especial por ela realizados até então, teria somado “crédito” no Mundo Espiritual, porém, quando chegasse a Espanha, em algum momento, mais cedo ou mais tarde, esse terminaria e, por isso, deveria continuar a dedicar, inclusive, mantendo a regularidade na materialização da sua gratidão.

Assim, criou o compromisso de se empenhar em ser mais útil à Obra Divina, buscando tornar-se numa pessoa mais humilde, mais altruísta, visando sempre a felicidade do próximo, tendo por base os princípios da Fé Messiânica.

Entretanto, começou a pandemia e no início, como a maior parte das pessoas, ficou desmotivada; contudo, relembrou o compromisso que havia criado e começou a assistir às transmissões dos Cultos Diários, agradecendo a Deus e a Meishu-Sama por todas as proteções e bênçãos recebidas. Orava também pelas pessoas em sofrimento e dava-lhes apoio por telefone. Mesmo sem ter qualquer remuneração durante o confinamento, praticava o donativo diário com o objetivo da compra do imóvel para o Johrei Center.

A partir desta sua decisão e das práticas realizadas, após o estado de emergência, conseguiu ministrar Johrei na sua sogra pela 1ª vez, reencaminhou uma amiga que acabou por reconsagrar o Ohikari e que, no espaço de um mês, arranjou trabalho. Em termos profissionais, a cada semana, foram surgindo novos clientes, permitindo-lhe aumentar o seu donativo de gratidão, chegando ao ponto de os fazer antecipadamente, antes mesmo de conseguir um novo cliente.

Outra bênção recebida foi ter conseguido um emprego na sua área profissional, com uma percentagem na sociedade. Já estando empregada, para uma pessoa que antes não tinha qualquer perspetiva de trabalho fixo, chegou até a ter que recusar uma outra proposta de emprego. Incrível! Os senhores não acham? A sua Experiência demonstra que, diferentemente da matemática material, onde quanto mais eu dou, menos eu tenho; na matemática espiritual, é o oposto, pois quanto mais eu der, mais terei. Quem já praticou, sabe muito bem que é Verdade!

Esta Experiência confirma o que Meishu-Sama nos orienta no Ensinamento de hoje:

“(…) Percebe-se que os bons acontecimentos são, sem dúvida, positivos, mas os maus, por serem ações purificadoras, também o são, pois ao seu término, certamente tudo irá melhorar. Por outras palavras, não importa a situação: tudo é positivo.
Compreender que viver com ou sem doença é algo positivo, significa possuir a verdadeira paz interior. Todavia, isto limita-se aos que têm fé. Com os descrentes, ocorre o contrário: sofrimento gera sofrimento, a ansiedade piora a situação, que, por fim, se torna infernal. Por essa razão, o segredo da felicidade consiste em compreender esta Verdade.”

Sendo o dia de hoje muito significativo na nossa cultura de origem cristã, encerro as minhas palavras desejando a todos um feliz domingo de Páscoa, repleto de alegria juntos dos vossos familiares!

Despeço-me com um forte abraço e que todos tenham um mês abençoado, desfrutando do retorno das atividades presenciais nas Unidades Religiosas e nos esforçando para praticar o amor Kannon com o maior número de pessoas.

Muito obrigado!

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