Experiência de Fé – Março 2021 – Juliana Marcondes

Experiência de Fé – Juliana Leitão Marcondes

“A partir do momento em que comecei a dar prioridade às dedicações na Igreja e às práticas básicas da fé, consegui, gradualmente, transformar o meu estado de espírito.”

Chamo-me Juliana Leitão Marcondes, sou membro desde 2012 e dedico no Johrei Center de Coimbra.

Sempre fui uma pessoa muito vivaz, no entanto, este modo de ser, em momentos de muita frustração, tornava-se prejudicial, pois quando acontecia alguma coisa que considerasse injusta ou que me sentisse desconsiderada, ficava extremamente irritada, a ponto de ter ataques de raiva, chegando a ser agressiva verbalmente com as pessoas envolvidas. A expressão “cega de raiva” encaixava-se perfeitamente. O pior é que, ao atingir este estado de negatividade, não conseguia voltar facilmente à positividade, chegando ao ponto de comprometer o meu dia, e por vezes, até semanas.

Gostaria de relatar a importância que as dedicações tiveram na minha mudança interior. Enquanto estava a morar no Brasil, não dedicava de forma assídua, pois a prioridade era sempre o trabalho ou qualquer outra coisa, menos as dedicações na Igreja.

Há um ano e meio, vim morar em Coimbra, devido ao doutoramento do meu companheiro. Após chegar a Portugal, comecei a sentir um aperto no peito, angústia e chorava sem motivo aparente. Quando isto acontecia, naturalmente, vinha ao meu pensamento lembranças do meu avô paterno e, ao comentar com uma amiga do Brasil sobre o que se estava a passar, esta orientou-me a voltar a frequentar a Igreja Messiânica Mundial em Portugal e assim o fiz. Fui muito bem recebida, com carinho e disponibilidade por parte do Ministro e do Estagiário, que através da postura nas dedicações, me mostraram a importância destas e da participação nas atividades da Igreja. Assumi assim, o compromisso de dedicar regularmente e, através das práticas básicas da fé, consegui ganhar forças para enfrentar as dificuldades naturais da mudança de país. Também pude conhecer novas pessoas, o que me deixou muito feliz.

Ao longo das várias dedicações, encarei vários aprimoramentos que colocaram a minha impaciência e intransigência à prova. Aos poucos, comecei a perceber pequenas mudanças em mim, tendo começado a valorizar mais o lado positivo das outras pessoas, em vez de só ficar apegada às coisas que não me agradavam.

Paralelamente, comecei a perceber a dissolução de algumas resistências, obtendo uma maior compreensão da Fé Messiânica. A cada dedicação que realizava, ia renovando a minha decisão de entrega a Deus e Meishu-Sama e, assim, fui sentindo uma maior tranquilidade, paciência, clareza e discernimento. Estas mudanças refletiram-se no meu quotidiano e a prova maior, foi o episódio que passarei a descrever:

Devido a uma situação de saúde que exige acompanhamento periódico, tenho duas consultas por ano no hospital. Antes da consulta, é necessária a realização de análises num horário específico, que geralmente acontece na parte da manhã.

Em maio do ano passado, na primeira consulta, não consegui fazer as análises atempadamente por uma longa fila de espera, comprometendo assim a consulta à tarde. Com esta situação, fiquei muito irritada, a ponto de comprometer todo o meu dia com maus pensamentos e um desgaste enorme.

Em novembro, tive a segunda consulta e, lembrando-me do sucedido em maio, contatei previamente o departamento de análises clínicas do hospital para me certificar de que estava tudo marcado e confirmar o horário no qual me deveria apresentar.

A senhora que me atendeu informou-me que não havia qualquer marcação, então, agendamos e, questionando-a sobre a antecedência necessária, ela respondeu-me que 15 minutos seriam suficientes. No dia determinado, ao chegar para fazer as análises pela manhã, fui informada que teria de aguardar numa fila com senha. Tentei argumentar sobre a informação que me tinha sido dada e a necessidade de fazer o exame no horário certo, o que foi em vão. A senhora, extremamente impaciente, respondeu-me de forma agressiva, não permitindo qualquer possibilidade de diálogo.

Embora tivesse ficado muito irritada, comecei a reparar nas pessoas à minha volta e dei-me conta da fragilidade do ser humano. Diante disso, veio-me o seguinte questionamento: “O que é um exame feito no horário errado diante do sofrimento destas pessoas?” A resposta foi: “Nada.” Contive a minha ira e encaminhei a Meishu-Sama o sucedido, pedindo-Lhe força para superar o que estava a sentir. Logo pensei em não me preocupar antecipadamente, agradecer por estar viva e refleti que a raiva não resolveria nada. Passado uma hora, fui atendida e fiz as análises; senti-me muito bem e com uma felicidade que até estranhei.

Ao voltar à tarde para a consulta com o médico, a secretária informou-me que este não se encontrava no hospital e que eu deveria voltar no dia seguinte à tarde, sem marcar horário. Mesmo perante esta situação desagradável, não tive qualquer sentimento negativo.

Como não tive a consulta, retornei para a aula e ao término desta, a caminho de outro compromisso, com duas colegas, fiquei sem gasolina no carro. Ficamos paradas na faixa oposta a um acidente entre dois carros que havia ocorrido há pouco tempo. Embora só danos materiais, provocou uma confusão no trânsito e como o meu carro bloqueava parcialmente a outra via, ficou pior ainda. Se fosse antes, esta situação deixar-me-ia extremamente irritada, a ponto de não conseguir tomar qualquer decisão para a resolver, pensando até em abandonar o local.

Comuniquei à pessoa com quem me iria encontrar que me atrasaria, mas, ao chegar, vi que ela não havia entendido e foi embora. Assim, sentei-me com a minha colega que também ia para o mesmo compromisso e ficamos a conversar por horas, tendo sido maravilhoso poder conhecê-la melhor e trocarmos experiências.

Anteriormente, todos estes acontecimentos num só dia: o atraso nas análises; o cancelamento da consulta sem aviso prévio; o adiamento sem hora agendada; a falta de gasolina no carro e o mal-entendido no último compromisso, qualquer um destes, por si só, seria motivo de arruinar o meu dia e até comprometer a minha semana. No entanto, senti-me feliz e agradecida, por ter conseguido reagir positivamente em todas as situações que, potencialmente, eram negativas.

Nestes dois últimos anos em Portugal, tive muitas permissões que atribuo em grande parte às dedicações que tenho vindo a realizar. No meu lar, recebemos a Imagem Consagrada de Meishu-Sama e senti que com a prática diária da oração, além do ambiente se ter tornado mais harmonioso, já saio de casa pela manhã com outro estado de espírito. O meu companheiro, mesmo sem ser membro, apoiou-me no recebimento da Imagem de Meishu-Sama e cumprimenta-a diariamente. Em termos profissionais, estou a fazer um curso que há muito esperava, na área da cerâmica. Na Igreja, fui convidada a assumir a responsabilidade da Liturgia da Sede Central, o que aceitei com muita gratidão, pois considero um passo muito importante na consolidação da minha fé. Nos meus círculos de amizade, passei a oferecer Johrei e até hoje, já consegui ministrá-lo em mais de dez pessoas, tendo encaminhado cinco à Igreja e uma delas já se tornou membro.

A partir do momento em que comecei a dar prioridade às dedicações na Igreja e às práticas básicas da fé, consegui, gradualmente, transformar o meu estado de espírito, ficando mais calma, tolerante e equilibrada. Ao entregar as situações difíceis nas mãos de Deus e Meishu-Sama, consegui desapegar dos problemas e assim, passei a vislumbrar novas oportunidades, maravilhosamente surpreendentes.

Agradeço a Deus, a Meishu-Sama e aos meus Antepassados por esta oportunidade de aprimoramento e ao Ministro e ao Estagiário por todo o apoio.

Muito obrigada.

Comentários não disponíveis.