Ensinamento do Mês – Julho 2021

ENSINAMENTO DE DEUS REVELADO A MEISHU-SAMA

ENTREGUE-SE A DEUS

Aconselho frequentemente as pessoas: “Entreguem-se a Deus”.

Entregar-se inteiramente a Deus significa jamais se preocupar com o que possa vir a acontecer. Isso parece fácil, mas na realidade não o é. Eu mesmo faço um grande esforço para agir assim; entretanto, as preocupações surgem-me involuntariamente. Neste mundo cheio de perversidade, é quase impossível viver sem preocupações. Porém, o Homem de fé torna-se diferente dos demais: tão logo lhe surge um problema, lembra-se de o entregar a Deus. Sente-se, portanto, aliviado.

Gostaria de salientar um ponto que a maioria das pessoas desconhece. Se interpretarmos espiritualmente o ato de se preocupar, verificaremos que representa uma forma de apego. É o apego à preocupação. Isso constitui um grave problema, porque influi negativamente sobre todas as coisas.

O apego apresenta-se como desejo de fama, dinheiro e satisfação de todas as vontades. Entretanto, há ainda outros apegos de caráter maligno. Por exemplo, referir-se a alguém como: “Aquele indivíduo não merece perdão, é um insolente… vou dar-lhe uma lição!” Esse pensamento expressa o desejo obstinado de que aconteça algo mau à pessoa.

Não me prenderei a essas conhecidas formas de apego; pretendo analisar aquelas que nem todos percebem, tal como a preocupação em relação ao futuro e o sofrimento pelo que já passou. Quando se trata de um religioso, embora Deus queira protegê-lo, o apego gera espiritualmente um obstáculo. Quanto mais forte o apego, mais fraca é a proteção Divina; daí nem sempre as coisas correrem como gostaríamos.

Vejamos: é difícil conseguir de imediato aquilo que se deseja intensamente, mas todos sabemos, por experiência própria, que é comum esse desejo concretizar-se a partir do momento em que, considerando-o inviável, nos resignamos.

Às vezes, ao querer obter algo, tudo nos parece fácil, mas nada conseguimos. E, mais uma vez, o desejo concretiza-se repentinamente, quando já o tivermos esquecido.

Na prática do Johrei acontece o mesmo. Se houver intensa vontade de curar alguém “a qualquer custo”, a recuperação torna-se mais difícil. Entretanto, quando o transmitimos com desprendimento, ou quando é recebido com certa desconfiança, inesperadamente, sobrevêm bons resultados. Frequentemente, apesar do esforço de toda a família, o doente em estado grave acaba por morrer. Observa-se que é relativamente mais fácil a cura de um enfermo, quando este e a sua família se preocupam menos, ficando um tanto indiferentes ante a ideia da morte.

Temos, ainda, o caso de o doente e os seus familiares, ansiosos pela cura, verem a doença ir se agravando sempre, até chegar ao ponto em que, ante a perspetiva do inevitável desenlace, todos se resignam. É então que sobrevêm melhoras rápidas e firma-se a cura. Aquele que reage, confiando somente no poder de sua força de vontade, certo de que se irá curar, quase sempre morre. É um facto curioso. A causa principal está no apego à vida.

Esses exemplos mostram a perigosa influência do apego.

Ao nos depararmos com um doente desenganado, é bom insinuar-lhe, bem como à sua família, que, diante da improbabilidade da cura, vamos pedir a Deus pela sua infalível salvação no Mundo Espiritual. A partir daí, com a transmissão do Johrei, muitas vezes, a doença começa a ceder.

O mesmo se aplica ao campo sentimental. O demasiado interesse de uma pessoa afasta a outra. Pode parecer irónico, mas é o apego que esfria o coração. Aliás, a maioria dos acontecimentos tem, realmente, caráter irónico. Por isso, são complicados e curiosos.

Por considerar que quase sempre o apego é a causa do insucesso, tenho por hábito aconselhar às pessoas que provoquem o efeito contrário. É a ironia das ironias, mas é a pura verdade.

Jornal Eiko nº 132
28 de novembro de 1951

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