Seminário para Auxiliares de Família e Missionários – Maio 2015

SEMINÁRIO PARA AUXILIARES DE FAMÍLIA E MISSIONÁRIOS – PREPARAÇÃO PARA O CULTO DO PARAÍSO TERRESTRE

PORTO – 30 E 31 DE MAIO/2015

Seminário para Auxiliares de Família e Missionários - Maio 2015

PALESTRA DO PRESIDENTE DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL DE PORTUGAL

MIN. CARLOS EDUARDO LUCIOW

Boa tarde!
Os senhores encontram-se bem?
(Graças a Deus e ao Messias Meishu-Sama!)

Antes de mais nada, gostaria de agradecer a todos os senhores pela vossa sincera dedicação que nos permite expandir a Obra Divina de Salvação de Deus e Meishu-Sama aqui em Portugal e na Espanha.

Quero também agradecer a todos pelo esforço que fizeram para estarem aqui hoje. Tenho certeza que cada um dos senhores devem ter enfrentado algumas dificuldades para estarem presentes no seminário de hoje. Seja dificuldade de saúde, económica, familiar, etc. Sempre surge algum obstáculo não é verdade? (Sim!) Esses obstáculos aparecem porque o Mundo Espiritual nos desafia para saber se queremos realmente crescer, aprimorar ou não. Isto faz parte da seleção natural. Graças a Deus e Meishu-Sama, os senhores, com o apoio dos vossos antepassados, conseguiram chegar até aqui. Parabéns!

Quero agradecer também aos ministros e missionários do Porto, Vila Nova de Gaia e arredores, que nos estão a receber com tanto carinho. Nestes eventos sei que existe muito trabalho de preparação e de organização. Não é fácil receber tantas pessoas! Muito obrigado peça vossa carinhosa receção, simpatia e Makoto.
(Makoto é um ideograma japonês a que Meishu-Sama atribuiu o seguinte significado: Sinceridade, fé, amor, lealdade, honestidade, fidelidade, cordialidade, verdade, devoção, correção, constância e altruísmo)

O Seminário de hoje é especial porque temos reunidos aqui as colunas Sagradas da Obra Divina de Portugal e Espanha. Os senhores, para chegarem ao nível em que estão, como missionários, passaram por muitas etapas. Tiveram que superar muitas dificuldades, barreiras, purificações, contrariedades, aborrecimentos e tentações para abandonar a fé, mas foram, com a permissão de Deus e Meishu-Sama, superando-as uma a uma e graças a tudo isso que passaram, o vosso espírito foi temperado. Tal como a espada que Meishu-Sama cita, em um Ensinamento, a qual alternando o fogo, as marteladas e a água fria, tempera o aço, que depois corta até ferro. Se os senhores são missionários hoje e estão aqui, é porque foram “temperados” por Deus e Meishu-Sama. Parabéns!

Ter sido encarregado de fazer uma palestra sobre um tema tão importante, talvez o mais importante da nossa Igreja, como a Transição da Era da Noite para a Era do Dia e a construção do Paraíso Terrestre, não é nada fácil e dificulta ainda mais quando o público já é tão esclarecido sobre o assunto. (risos)

Desde a antiguidade que várias religiões, cada uma da sua maneira, fala sobre a construção do Paraíso Terrestre. No Cristianismo fala-se no Advento do Reino dos Céus sobre a Terra. Todos que estudaram na catequese aprenderam que o homem foi criado no Paraíso. Kyoshu-Sama também fala isso: que fomos criados no Paraíso, que está vivo dentro de nós. A Igreja Católica também fala disso através da história do Adão e Eva que foram criados no Paraíso, não foi? No Éden, no “Jardim do Éden”. Existe um grande antagonismo entre duas teorias sobre a origem do homem: Os criacionistas que acreditam na teoria de que o homem foi criado por Deus e os evolucionistas que acreditam na teoria de Darwin, de que as espécies foram evoluindo e o homem descendem do macaco.

Meishu-Sama ensina uma coisa muito importante, que acho fundamental no nosso seminário de hoje: A construção do Paraíso é a construção do homem paradisíaco. Achamos tão bonito falar que estamos a trabalhar para a construção do Paraíso Terrestre, não é? (Sim!) Quando vamos aos Solos Sagrados, que são os protótipos do Paraíso Terrestre, fica-se a desejar construir um local como aqueles nos nossos países. Mas eu gostaria de perguntar se mesmo tendo um local materialmente lindo como aqueles, em perfeita harmonia entre a mão de Deus e a mão do homem, mas estando lá pessoas que não têm um sentimento paradisíaco este local, por si só, já seria Paraíso? Se as pessoas que estiverem lá forem antipáticas, agressivas, mal-educadas, cheias de defeitos, por mais beleza natural que haja, por mais belas construções, se alguém for lá e for mal tratado, vai embora e nunca mais vai querer voltar, não é assim? (Sim!)

Por outro lado, se aqui onde não existe toda aquela grandiosidade material mas se quem vier receber calor humano, carinho, atenção, amor, apoio, etc… não será um Paraíso para essa pessoa? Por isso, a construção do Paraíso, na verdade, é a construção do homem paradisíaco. Mas quando ouvimos que a construção do Paraíso é a construção do homem paradisíaco, o que pensamos? “Ah, a minha missão é formar pessoas paradisíacas”. Pensando assim, a pessoa começa a lutar para querer transformar os outros em seres paradisíacos, quer mudar os outros; mudar o marido, a mulher, os filhos, os pais, o Ministro, os membros, etc. Mas será que a missão de construir o homem paradisíaco é a missão de construir “os outros” como seres paradisíacos ou nos autoconstruirmos como seres paradisíacos? É possível mudar alguém? Os senhores já conseguiram mudar alguém? Pelo contrário! Quando mais tentamos mudar alguém, esse alguém piora. Já viveram essa experiência, não é? (Sim!) Quanto mais se insiste para que uma pessoa mude aquele defeito, mais ela piora, não é assim? Então a quem é que podemos mudar? Só a nós mesmos e com muita dificuldade! Por quê é tão difícil mudar a nós mesmos? Porque temos apego aos nossos defeitos e nos achamos quase perfeitos. Tenho um amigo que diz assim: “Ninguém é perfeito, talvez nem eu!” (risos).

Este ano, no formulário que levaremos ao altar, por ocasião do Culto do Paraíso Terrestre, além do nome das pessoas que gostaríamos de encaminhar, criámos um objetivo prático; uma prática altruísta em casa, no trabalho, na escola, na Igreja e na sociedade. Tenho ouvido de algumas pessoas, especialmente dos Ministros, coisas muito interessantes porque através desse objetivo, eles se propuseram em mudar algumas coisas que, sabiam que precisavam melhorar, mas não estavam a dar a devida importância. Começaram em casa, com as esposas, a fazer pequenas coisas, quase insignificantes da parte deles, mas que para elas, eram muito importantes. Do género de chegar em casa à noite, cansado, querer ver a televisão, querer ouvir um jogo de futebol mas desligar a televisão e ficar a ouvir a mulher (risos). Vocês estão a rir porque acham que é fácil! Não é fácil, não! Ouvir não é difícil porque os ouvidos estão abertos; o difícil é prestar atenção! (risos). Porque nós desligamos e ficamos ouvindo só: “Blá, blá, blá”. Mas elas são espertas, no fim perguntam: “Entendeste?”, “Entendi”, “Então o que é que eu disse? Fala! Estás a ver? Não me escutas!”. Outro Ministro também chegava a casa a noite, comia depressa e já se levantava para ir ver televisão ou fazer outras coisas e a mulher, que come mais devagar que ele, ficava sentada na mesa, sozinha. Agora, mesmo acabando de comer, ele fica sentado na mesa ouvindo a mulher. Isso para elas é uma grande e importante “fatia” do Paraíso dentro do lar.

Não é só fazer o que deixa o outro feliz, é também não fazer o que o deixa infeliz. Porque, na Igreja, como Ministro, ouvir com atenção os membros não é fácil mas consegue-se. Mas em casa, com a mulher e com os filhos, é bem mais difícil. Portanto, essa construção do Paraíso, a construção do Homem paradisíaco é, antes de mais nada, o Homem como “pai”, como “marido”, dentro da própria casa. Isso é mais difícil! Ouvir a própria mulher 10 minutos, ao fim do dia, é mais difícil do que um dia inteiro de 12 horas de dedicação fora de casa. Muito mais difícil! Todos os senhores têm família e sabem como é difícil isso. Eu já há muitos anos venho praticando a fé dentro do meu lar porque descobri que não existe força missionária sem a prática da fé em casa. O missionário que não consegue fazer a própria família feliz não tem força de salvação. Não toca a alma de ninguém; só toca o intelecto. Explica de cabeça para cabeça; da razão para a razão. A pessoa entende mas não faz, porque a sua alma não foi tocada. A esse missionário falta a prática da fé no local mais importante que é a sua família. Isso é um Ensinamento de Meishu-Sama que há muitos anos eu lia, sabia de cor, mas não entendia. Meishu-Sama diz assim no Ensinamento “A minha natureza”:

“Quando acordo pela manhã, a minha primeira preocupação é saber o estado de ânimo dos meus familiares. Se houver uma só pessoa mal-humorada, já não me sinto bem e enquanto não faço algo para melhorar o seu estado de espirito eu não fico tranquilo.”

Quem diz isso é o Messias Salvador do mundo! Qualquer um de nós poderia imaginar que Ele pensasse: “Quando acordo pela manhã, a minha primeira preocupação é saber como está a salvação do mundo…” Não, esta não era a sua primeira preocupação, mas sim a sua família, porque esta é a célula da sociedade. Um organismo, por maior que seja, ele é composto por células. Um tumor, por exemplo, por mais agressivo que seja, ele começa com uma primeira célula cancerosa que se divide, reproduz-se e vai crescendo até formar metástases. Um organismo sadio é feito por células sadias; um organismo doente é feito por células doentes. Na sociedade ocorre a mesma coisa e por isso onde o mal mais atua é na família, que é a célula da sociedade. A maior parte das pessoas quando pensam no mal lembram da máfia, do crime organizado, etc., mas isso é um mal secundário. Onde ele mais trabalha para destruir o Homem é na família; na separação dos casais, no distanciamento entre pais e filhos, no ódio entre os irmãos, etc. Portanto, o ponto principal para o missionário é este: As práticas básicas da fé na família.

Recentemente, estive em Córdoba visitando o aqui presente, senhor Orestes e a sua família, que me receberam com muito amor. Qual foi a orientação que eu lhe dei? “O senhor orientou-me para praticar Johrei com a minha esposa todos os dias!” Se o senhor conseguir isso todos os dias já merece uma medalha! Prestem atenção porque estou a falar “todos” os dias! Sem falhar domingos, feriados, Natal, etc. Eu digo que é difícil porque o faço há muitos anos e sei o quanto custa! Não é difícil? “Sim é difícil!” De vez em quando, muitos conseguem; todos os dias é raríssimo!

Esse é um ponto sobre o qual, nós Ministros, estamos sempre a refletir. Estou sempre a lembrá-los esta prática dentro do lar e eles estão a relatar-me as experiências que vão tendo. Esse ano, quando criámos esse objetivo que divulguei no Culto, eu já tinha práticas que realizava no lar e por isso decidi melhorar o que já fazia. Em casa já ministrava de 20 a 25 minutos de Johrei, todos os dias, à minha mulher e por isso passei a ministrar de 50 minutos a uma hora, todos os dias. Dupliquei a prática. Só estamos os dois em casa, então só posso aumentar o tempo e não a quantidade de pessoas. Logicamente ela ficou muito feliz e eu também.

Não existe missionário com força de orientação se não praticar dentro da própria casa. O missionário que não pratica a fé dentro de casa é demagogo. Ele ensina coisas que não pratica e o Mundo Espiritual não atua através da demagogia; atua através do Makoto. Ter Makoto é também fazer o que se fala e falar o que se faz; ser transparente. Essas duas coisas têm que caminhar paralelamente. Meishu-Sama nos orientou que o Mundo de Miroku é o Mundo Cristalino e Ele construiu o Palácio de Cristal para representar este mundo.

Também no trabalho e na escola. Isto porque muitas vezes passamos mais horas por dia com colegas de trabalho e de estudo do que com a própria família. Muitos saem de casa de manhã e só voltam à noite. Estão oito horas no trabalho, fechados com os colegas e o chefe, por terem afinidades com eles. Mas achamos que com aquelas pessoas não é possível praticar a fé. Porque “este” é católico, “aquele” é comunista, “aquele outro” é muito chato, “aquela outra” é fofoqueira, e assim por diante. Desta forma, para ele, aquelas pessoas com que ele trabalha não tem salvação! (risos) Ele quer salvar “uma outra pessoa”, só que essa “outra” não aparece. Isto porque Deus não a mandou salvar “uma outra”, ele mandou-a salvar os colegas de trabalho, através da prática da fé naquele ambiente. Ela os quer catequisar e às vezes diz: “Já ofereci Johrei a todos os meus colegas e ninguém quer receber. Acho que eles não têm salvação. Eles não têm merecimento de se tornarem membros”. Mas, em contra partida, não está a fazer Flor de Luz no trabalho, não está a levar Ikebana para o trabalho, não faz limpeza espiritual no ambiente de trabalho com objetivo de transmitir Luz aos colegas. Fazer difusão não é só ministrar Johrei. Muitas vezes o Johrei vai ser a última coisa, quando tocarmos o coração das pessoas através do nosso comportamento. Quando se sentirem tocados, aí sim conseguiremos ministrar-lhes Johrei. Mas a pessoa quer logo ministrar Johrei, doutrinar, dar aulas de princípios e trazer para a Igreja para receber o Ohikari. Não funciona assim!

Depois, no formulário, temos a prática da fé na sociedade. No início deste mês, quando voltei para a Itália, pus-me a pensar: “O que é que eu posso fazer na sociedade?” Desde janeiro do ano passado, com a intensificação das minhas dedicações, deixei de caminhar como fazia e devido a estar muito tempo sentado, meus pés começaram a inchar. Justificando para mim mesmo que “não tinha tempo” fui deixando a saúde em segundo lugar e colocando em primeiro lugar o servir, mas como os pés não desinchavam, percebi que o meu sistema venoso não estava a funcionar bem. Assim, comecei a levantar-me todos os dias, uma hora mais cedo para caminhar. No primeiro dia, enquanto caminhava, percebi que as calçadas e as ruas eram muito sujas: maços de tabaco vazios, latas de refrigerantes, garrafas de plástico, publicidades, papel de doces, etc. Assim, decidi como prática altruísta recolher o lixo durante as minhas caminhadas, limpando espiritualmente e materialmente a cidade. Eu moro numa cidade pequena e por isso, com vergonha dos vizinhos, peguei num saco de lixo, numas luvas e fui para o outro lado da cidade onde ninguém me conhecia. (risos) Na primeira esquina, abaixei-me para apanhar algo e quando me levanto, quem vinha na minha direcção? O meu vizinho de porta! (risos) Ele vinha de carro e quando virou a esquina apanhou-me com o lixo na mão. Ele ficou tão surpreso que até travou o carro! Ele olhou pra mim e eu olhei para ele, com o lixo na mão. (risos) Aí nos cumprimentamos. Percebi logo a mensagem: “Entendi Meishu-Sama. Eu tenho que, além de apanhar lixo, treinar a humildade também! (risos) Tenho que vencer o meu orgulho!” No dia seguinte decidi ir para o outro lado da cidade. Quando me abaixo para apanhar o lixo, quem é que sai do correio? Um morador do meu prédio que é engenheiro e também presidente da assembleia do condomínio. Ele ficou tão sem graça de me ver a apanhar lixo que nem me cumprimentou! Virou-se para o outro lado, para fazer de conta que não me tinha visto. (risos) E fui vivendo situações desse tipo, com pessoas que me olhavam com desprezo, por estar a fazer um trabalho tão humilde. Até que, no terceiro dia, apareceu um senhor de idade muito bem vestido, que ao ver-me apanhando o lixo disse: “Bravo! Bravo!”. Então entendi que já estava recebendo a aprovação dos antepassados daquelas pessoas. No quarto dia, de tanto abaixar-me e levantar-me começaram a doer-me os joelhos (risos) e as pernas tremiam de cansaço. No primeiro dia consegui apanhar mais de trezentos lixos, no segundo dia mais de seiscentos e no terceiro dia quase oitocentos. Comecei a contar porque fiquei curioso de quanto lixo conseguiria juntar por dia. Quando o saco fica cheio, esvazio-o no contentor e continuo o meu percurso. Hoje eu estou a apanhar mais de mil lixos por dia. Também ajudou-me fisicamente porque é um bom exercício. Mas chegou um dia em que fiquei muito cansado e pensei: “Eu vou parar de fazer isso. Chega!” Mas, como orientador, senti a responsabilidade de praticar o que eu ensinava e falei para mim mesmo: “Como é que vais parar? Depois, quando fores encontrar com os membros, os missionários, vais dizer o quê? Que moral vais ter para orientar se não estiveres a fazer? Espiritualmente és o líder e se desistires, vais emanar essa fraqueza para eles. Mesmo que eles não saibam, vais influenciá-los negativamente. Portanto, pratique o que ensinas, custe o que custar!”

Isso também acontecia com Meishu-Sama quando purificava severamente, dava ordem ao seu secretário: “Amanhã de manhã tire-me da cama a tal hora. Tire-me da cama, nem que seja à força!”. Mesmo que a família e as pessoas ao seu redor pedissem para Ele descansar, essa era a ordem que Ele dava ao secretário, porque tinha essa responsabilidade de dar o exemplo. Se Ele esmorecesse, os Ministros e os Reverendos iriam dizer: “Ah, ele se rende!”, então eles iriam se render também; fazer corpo mole. Mas como viam que Meishu-Sama, de qualquer maneira servia a Deus, eles ganhavam força para eles próprios também se superarem.

Porque é que eu estou a dizer isso? Porque a nossa missão como missionários não é só a de fazer mas também de dar o exemplo. Se os senhores observam os seus Ministros, os seus membros também vão observa-los como auxiliares de família. Talvez não falem mas estão a olhar. Ao esforçarem-se para dar o exemplo, eles vão imitá-los; se fraquejarem, eles também fraquejarão.

Conhecendo as características de um determinado missionário, no ponto em que ele tem dificuldade, constatamos que os membros do grupo dele também apresentam a mesma dificuldade. Ao contrário, há missionários que são bons em donativo e têm grandes experiências. No grupo deles ninguém tem dificuldade em fazer donativo porque eles já formam a pessoa desde o início praticando. E quem pratica vê os resultados. Outro missionário, que é muito bom na assistência religiosa, no seu grupo todos dão assistência religiosa. Isso acontece porque é como se fosse um filho espiritual. Os filhos aprendem pelo exemplo e não pelas palavras. Os membros não vão fazer o que nós dissermos, mas sim o que nós fizermos. Se formos fazer limpeza espiritual, eles vão nos acompanhar, vão achar bonito e vão gostar. Talvez, na primeira vez, fiquem um pouco desambientados mas depois entram no espírito e ficam maravilhados de terem sentido emoções e alegrias nunca sentidas antes. Essa responsabilidade, nós, como líderes, precisamos ter, pois as pessoas vão se espelhar em nós. Para a pessoa, logo que entra na Igreja, Meishu-Sama é muito distante, é um quadro lá na parede; não está a ver Meishu-Sama ainda, ela vê a nós, que estamos vivos à frente dela. Depois, com o tempo, através do exemplo do missionário, ele vai chegar a Deus e a Meishu-Sama com a leitura e a prática dos Ensinamentos. Mas o primeiro ponto de referência somos nós, por isso é uma grande responsabilidade. Se nós conseguirmos vencer as nossas dificuldades e barreiras, vamos conseguir passar isso para os membros. Quanto mais fraquejarmos, mais membros fracos vamos formar. E depois não adianta dizer ao Ministro: “Os membros do meu grupo não querem nada. O senhor deu-me um grupo de membros que não funciona”. Não é o grupo, é a lei da afinidade. Se quer que o grupo melhore, melhore-se a si. Se quer que o grupo faça, faça primeiro. Não diga para eles fazerem, chame-os para fazerem junto consigo. Quer que o membro entenda o que é dedicação? Chame-o para dedicar junto consigo. Quer que ele entenda o que é Johrei? Chame-o para sentar-se do seu lado e ministre Johrei. Deixe-o ver a ministrar Johrei. Quer que ele entenda sobre donativo? Pegue num envelope, faça donativo e deixe-o ver que você faz. Daí a pouco, quando menos esperar, ele estará com um envelope na mão, a fazer donativo. Aprendem assim: sejam as virtudes ou os defeitos.

Anos atrás, numa viagem ao Solo Sagrado do Japão, durante uma entrevista com o Reverendíssimo Watanabe, ouvi dele uma estória que me marcou muito. Ele me contou que, quando fazia relatório para Kyoshu-Sama, sempre ouvia a seguinte expressão: “Ah! Eu preciso mudar!”. No encontro seguinte: “Ah! Eu preciso mudar!”. Chegou uma altura em que o Reverendíssimo falou? “Kyoshu-Sama, não precisa dar indiretas. Se o senhor quer que eu mude, fale: “Reverendo, mude nisso, nisso e nisso”. Não fique falando que o senhor precisa mudar. Fale logo, fale diretamente para mim!”. Então, Kyoshu-Sama respondeu: “Não Reverendo Watanabe! Não estou a falar para o senhor dando indiretas. Eu estou a dizer que tenho que mudar porque realmente “eu” é que preciso mudar”. Aí o Reverendíssimo disse-me: “Quando ele me falou isso, vi que ele realmente estava sendo sincero; desceu-me um calor da cabeça até aos pés e eu comecei a chorar”. Ele continuou: “Comecei a chorar porque entendi que “eu” é que precisava mudar. Eu sempre que encontrava com os Reverendos e dizia: “Façam isso, façam aquilo” “Mudem nisso, mudem naquilo”; os Reverendos que ouviam a minha orientação, por sua vez, diziam para os Ministros: “Vocês têm que mudar nisso e naquilo”; os Ministros diziam para os missionários: “Vocês têm que fazer isso e fazer aquilo”; os missionários diziam para os membros: “Vocês têm de mudar isso e aquilo”; os membros diziam para os frequentadores: “Vocês têm que fazer isso e fazer aquilo” e no final o frequentador que estava no fim da hierarquia, chegava na rua e dava um pontapé no cachorro pois já não tinha em quem descarregar. (risos) Quando o Reverendíssimo reconheceu a grandiosidade das palavras de Kyoshu-Sama ele falou: “Entendi! Sou eu que tenho de mudar!”. Ele falou isso para mim chorando: “Kyoshu-Sama salvou-me! Eu estava preso na minha presunção, do trabalho que eu tinha realizado a vida inteira, dos grandes resultados que eu tinha obtido e dos elementos humanos que eu tinha formado. Não vou mais dizer-vos o que fazer e também não vou mais cobrar nada. Quem vai mudar sou eu. Vocês façam o que vocês quiserem”. Quando ele falou assim, todas as pessoas orientadas por ele começaram a pensar: “Eu também preciso mudar!” Começou um efeito cascata de todos quererem mudar a si mesmos. Pessoalmente, considero esse dia o início da Era da Luz na Obra Divina. Para quem viveu o período anterior, que era um período Shojo, muito rigoroso, muito vertical, ouvir o superior dizer que “ele” é que tinha que mudar, parecia inacreditável! A partir daí mudou completamente a Igreja Messiânica e a prática da Fé Messiânica; entrou Luz com essa postura de fé do Kyoshu-Sama e o efeito “cascata de Luz” chegou a todos nós. Portanto, a experiência de fé que ouvimos hoje da senhora Sandra Peixoto Gonçalves, a qual agradeço muito, demonstra bem esse ponto. Ela estava acomodada na sua dedicação, no seu cantinho, na sua área de conforto. Não tinha vontade de receber formação para Auxiliares de Família. Por isso Deus colocou a dificuldade com o marido no caminho dela. Deus fala-nos através do marido, da esposa, do filho, do chefe, mas nós temos dificuldade de ouvi-Lo através dessas pessoas; ao ponto dela falar para o Ministro: “O senhor quer expulsar-me da minha missão?”. Disse que cobrava de todo mundo, reclamou até com Meishu-Sama. Coitado de Meishu-Sama! (risos) Quer salvar as pessoas e elas vão reclamar com Ele! Mas no infinito amor de Deus, Ele vai mandando outras mensagens e outras situações. Como um Puzzle, a pessoa vai juntando os pedacinhos até que começa a intuir que não são os outros que têm que mudar mas sim ela mesma. A senhora Sandra queria que o marido aceitasse a reunião de Johrei na sua casa mas nunca aceitou fazer festas para o marido porque são muitas visitas, sujam a casa, incomodam, etc. Ela poderia reunir todos os amigos da Igreja, rezar, trocar Johrei, mas os amigos do marido, virem na sua casa “de jeito nenhum” e ainda achava que estava cheia de razão, não é assim? Este é um modelo que serve para todos nós. Todos nós temos as nossas convicções de que estamos cheios de razão e queremos que os outros aceitem as nossas reivindicações, as nossas vontades e o nosso modo de fazer, mas não aceitamos o dos outros. Quando ela conseguiu mudar isso, mudou tudo! Recebeu os amigos do marido com amor e carinho e o marido, durante a sua festa, mandou os amigos receberem Johrei com ela. Como é que é possível uma mudança tão radical na opinião de uma pessoa? O marido queria fazer o donativo para agradecer e ela disse: “Isso é pouco! É o mais fácil para ti! Mediante a graça que tivemos tens que ir à Igreja”. Pois aconteceu o milagre de retirarem, do lado da casa deles, a torre de alta tensão que há muito tempo desejavam. Mas a alta tensão não estava na torre, estava dentro dela. (risos) Como a alta tensão dela desapareceu, espiritualmente, não tinha mais motivo para a torre existir. Estamos a falar dela porque ela fez a experiência, mas acho que cada de nós também é assim. Quem é missionário tem “Ga” (Ego) forte e se não tiver não tem estrutura, opinião, caráter, personalidade e por isso não consegue servir. Meishu-Sama também ensina que:

“Tem que ter Ga (Ego), mas não pode manifestá-lo.”

Parece uma contradição, mas a pessoa que não tem Gá (Ego), não tem força de realização. Depois, ela começou, mesmo não querendo, a ser obediente à orientação recebida e deixou de ser Shojo para começar a ser mais Daijo, mais flexível, procurando servir sem convencionalismos. Todos nós criamos convencionalismos: “A Igreja tem de ser assim”; “a reunião tem que ser assado”; “a dedicação tem de ser assim”. Criamos uma série de formas porque fomos educados daquela maneira e parece que se não fizermos “daquele jeito” não vai funcionar ou está errado. Não é assim que pensamos? (Sim!) Meishu-Sama ensinava que a Fé Messiânica não tem forma, tem que se adaptar a cada lugar, a cada situação e a cada momento conforme as circunstâncias. Não é Shojo nem é Daijo; é Shojo e Daijo simultaneamente. Isso é muito difícil de entender e mais difícil ainda de praticar. Quando olhamos o símbolo do Izunomê, temos a ideia de um equilíbrio estático, parado no centro. Eu pensei assim por muitos anos. Quando olhava esse símbolo dizia: “Eu quero ficar centrado mas não consigo”. Com o tempo entendi que Izunomê não é ficar parado no centro mas sim, ter a sabedoria necessária para discernir quando tem que subir ou quando tem que descer, quando tem que ir para a direita ou quando tem que ir para a esquerda, ou seja, adequar-se a cada situação em base ao bom senso. Para falar com pessoas diferentes temos que nos adequar a diferentes formas. Seja com um idoso ou uma criança, seja com uma senhora ou com um homem, sempre temos que procurar a melhor maneira. Quem trata todas as pessoas de maneira igual, com alguém vai errar certamente. Com uma mesma pessoa, em determinados momentos particulares da vida, já muda! Este é um estudo que não acaba nunca!

A cada 15 de Junho a intensidade da Luz aumenta e quanto mais forte for a Luz, maior será a sombra. Quem está no escuro não tem sombra. Se entrar numa sala escura, fechar a janela e as portas não vai ver a própria sombra. Agora, quando saímos para a rua, em pleno Sol, onde quer que formos, a sombra sempre nos acompanhará. Figurativamente, o que é essa sombra? São os nossos defeitos. Quanto mais aumentar a Luz mais veremos os nossos defeitos. Porque Deus nos deixa ver? Para reconhecê-los e assim mudarmos. Muitas pessoas, quando enxergam os próprios defeitos ficam desanimadas, tristes e desmotivadas: “Ah Ministro, eu não posso ser missionária porque tenho estes defeitos… ”, “Graças a Deus que você os reconhece. Coitado daquele que não enxerga os próprios defeitos; este sim é que está nas trevas! Se você já consegue reconhecê-los é porque já esta na Luz.” Mas a pessoa acha que quando vê os próprios defeitos é que está nas trevas mas é o contrário! Quem não vê os próprios defeitos é que está nas trevas. Quando apareceu o defeito é porque Deus permitiu para poder corrigi-lo, portanto agradeça e se esforce para mudar! Isso é que é viver na Luz. Ir para o Paraíso é isso! Ir para o Paraíso não é fazer de conta que é “santinho” mas reconhecer que é “diabinho” e se esforçar para virar “santinho”. (risos) E se achar que já é “santinho” está iludido! Construir o Paraíso é isso: Reconhecer as próprias falhas, esforçar-se para melhorar e mudar. Assim, pelo elo espiritual a sua família e quem estiver ligado a si também mudará. Muda dentro de casa, no ambiente de trabalho, na Igreja e na sua missão. Todos vão receber essa influência positiva mesmo que você não fale, a pessoa com que você tem elo espiritual também muda. Nós queremos que os outros mudem mas não vamos conseguir mudar ninguém. Se “mudar alguém” fosse possível o mundo já seria um Paraíso porque todos os pais querem que os filhos mudem. Ou existe algum pai que não deseja que os filhos mudem para melhor? Algum pai com um filho drogado não quer que o filho pare de se drogar? Algum pai de filho perdido na criminalidade não quer que o filho mude? Adianta o pai querer? Quem tem que mudar é o pai. O pai é que tem que mudar, mas ele quer que o filho mude! A esposa quer que o marido mude e vice-versa. A senhora Sandra se perguntava: “Porque é que os outros conseguem abrir a casa para Meishu-Sama mas eu não consigo? Porque para mim é tudo tão difícil? Porque o meu marido não aceita a reunião de Johrei em nossa casa sendo que é para levar Luz para a família?”. A resposta é porque ela só queria fazer a própria vontade.

Existe um poema de Meishu-Sama em que Ele orienta assim:

“Valorizando as coisas boas e jogando fora as ruins,
vamos com alegria, construir o Paraíso Terrestre.”

Essa alegria também é uma característica importante para o missionário. Vendo a foto de Meishu-Sama do altar dá a impressão que era sempre assim, sério, mas onde quer que Ele estivesse sempre procurava fazer as pessoas rirem. Chegou até a criar a sociedade do riso para escrever e partilhar poemas satíricos e cómicos. Como missionários, não deixem os plantões e as reuniões semanais ficarem pesadas, em meio a um ambiente de cobranças e sermões. A missão do missionário não é dar ordens mas sim dar amor e praticar a fé junto. Isto porque, se der ordens e fizer cobranças, o grupo vai enfraquecendo cada vez mais e em pouco tempo não virá mais ninguém. Ninguém gosta de um ambiente assim. Entretanto, num ambiente alegre, descontraído, fraterno e amoroso todos querem voltar.

Os senhores são os responsáveis, são a coluna do núcleo, do grupo e esse espírito alegre tem que emanar dos senhores. Não podem esperar que os membros façam, os senhores é que devem fazer primeiro. Se eu faço uma palestra agradável os membros pensam: “Ah, não posso faltar! O Ministro nos orienta com sabedoria e alegria. Vou esforçar-me para não faltar.” Mas se for uma palestra chata, pesada, dando lição de moral, pensaremos: “Ah, eu não vou mais lá, ele é muito chato, só dá ordens e faz cobranças”. Não é assim que pensamos? (Sim) Todos pensam dessa maneira. Da mesma forma, os membros pensarão dos senhores o que os senhores pensam dos Ministros.

Para encerrar quero ler o último parágrafo do Ensinamento de hoje, o qual considero muito significativo para o que estamos a estudar.

“Principalmente os religiosos, como foram escolhidos por Deus e têm o compromisso de serem pessoas exemplares não devem desviar-se do caminho. Devem manter a firme determinação de não se envergonharem perante o Céu e Terra. Tais pessoas são amadas por Deus, consequentemente a proteção divina também é maior. Como o seu espírito está sempre alegre, elas gozam de uma vida tranquila, não criam inimigos, não granjeiam o rancor de terceiros e passam a ser respeitadas por muitas pessoas. Assim, tornam-se criaturas felizes.”

Vamos agora para as mesas redondas debater as nossas práticas, criar objetivos e depois teremos a conclusão. Agradeço a vossa atenção e foi um prazer ter estado com os senhores.

Muito obrigado!