Palestra do Culto Mensal de Agradecimento – Sede Central – Agosto 2021

PALESTRA DO PRESIDENTE DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL DE PORTUGAL

REV. CARLOS EDUARDO LUCIOW – AGOSTO 2021

Bom dia a todos!
Como os senhores estão a passar? Estão todos bem?

Em nome de Deus e Meishu-Sama, agradeço a vossa sincera dedicação que nos possibilita expandir cada vez mais a Obra Divina em toda a Europa! Muito obrigado!

Gostaria de dar as boas-vindas a quem está a assistir a este Culto pela primeira vez e a todos os membros e frequentadores que estão a participar nesta transmissão online, tanto em Portugal, como em outros países. Sejam todos muito bem-vindos!

Gostaria também de dar as boas-vindas a quem está a participar aqui no nosso Culto, vindos da Suíça. É uma grande honra estarmos a recebê-los! Sejam sempre bem-vindos à casa de Meishu-Sama em Portugal!

Entre os dias 16 e 26 do mês passado, tive a permissão de visitar os Núcleos de Johrei de Saint-Marcel-de-Careiret e de Bordéus, no sul de França, onde realizámos Cultos Mensais de Agradecimento, Outorga da Luz Divina – Ohikari e Shoko (proteção para criança), entronização de Mitamaya, reuniões de Johrei, estudo de Ensinamentos de Deus revelados a Meishu-Sama, reunião com missionários, encontrando no total com mais de 20 membros, 10 frequentadores e 7 pessoas de 1ª vez.

Fiquei muito feliz em constatar que se estão a empenhar na prática da fé messiânica pioneira nesses locais, visando a felicidade do seu próximo. Gostaria de ressaltar o esforço na dedicação de tradução dos Ensinamentos de Deus revelados a Meishu-Sama e Experiências de Fé para a língua francesa, com o Sonen de salvar o maior número de franceses. Agradeço também pela carinhosa hospitalidade com que me receberam, assim como, pelas saborosas refeições feitas com muito amor. Muito obrigado!

Num dos Ensinamentos do Culto de hoje, “O ego e o apego”, do Alicerce do Paraíso vol. IV, edição portuguesa, Meishu-Sama orienta-nos:

“O ser humano possui, na sua personalidade, dois traços irmãos: o ego e o apego. Ao analisarmos questões confusas e de difícil solução, descobriremos que quase todas elas se devem a eles.” (…)

Dando continuidade ao estudo do mês passado, sobre a importância do desapego, vamos este mês aprofundar a necessidade de controlarmos o nosso ego.

Todos nós, relembrando factos do passado, reconheceremos que o nosso ego foi motivo de fazer os outros sofrer e também a nós mesmos, sendo a causa de muitos conflitos.

Conforme Meishu-Sama nos orientou hoje:

(…) “O principal objetivo da fé é eliminar o ego e o apego. Tão logo me consciencializei disso, empenhei-me em livrar-me deles. Como consequência, as minhas inquietações amenizaram-se e tudo corre a contento.” (…)

No outro Ensinamento, intitulado “Liberte-se do ego”, do Alicerce do Paraíso vol. IV, edição portuguesa, Meishu-Sama continua a orientar-nos sobre a vital importância de nos libertarmos do ego, pois, nada é mais temível do que ele.

Tal como vimos em relação ao apego, a eliminação de ambos é o principal aprimoramento no Mundo Espiritual.

Com base num trecho do Ofudesaki, Meishu-Sama transmitiu-nos o seguinte ensinamento da religião Oomoto que o deixou profundamente impressionado: “Devem ter ego e não o devem ter; é bom que o tenham, mas não o manifestem.”

Profundo, não é? Na verdade, o que isso significa?

Significa que o ego faz parte da natureza humana e é importante tê-lo, pois dá-nos consciência da nossa existência individual. O problema reside no facto de sermos dominados por ele, criando assim o egocentrismo, no qual tudo gira em torno dele, conforme a sua vontade.

O oposto do egocentrismo é o altruísmo e assim sendo, não adianta querer deixar de ser egoísta se não nos esforçarmos para sermos objetivamente reconhecidos como altruístas.

Ser altruísta é, de forma desinteressada, colocar a felicidade dos outros em primeiro plano, pois, se o fizermos por interesse, mesmo sendo uma atitude potencialmente altruísta, será ditada pelo egoísmo e, como tal, pertence ao Mal.

Para isso, é necessário discernir o que é o Bem e o que é o Mal. Nesse sentido, Meishu-Sama, no “Pão Nosso de Cada Dia”, orienta-nos:

(…) “O egoísmo é a medida para se definir o que é Bem e o que é Mal. Fazer os outros sofrer para auferir benefícios próprios, causar danos a terceiros, é Mal.
Beneficiar o próximo, melhorar o mundo, deixar os interesses pessoais relegados a segundo plano, colocando os interesses das outras pessoas e da sociedade em primeiro lugar, é Bem. Por isso, quando se analisa: ‘Com o que estou a fazer, quantas pessoas sofrem? Quantas pessoas se alegram e se tornam felizes?’, pode-se entender o que estou a dizer. É simples. Por ser tão simples e compreensível, não há necessidade de se estabelecerem definições ou teorias.”

Conhecemos casos de pessoas que, quando necessitadas, querendo resolver o seu problema, aparecem, dedicam, esforçam-se, estão sempre presentes. Após superarem esse sofrimento, deixam de aparecer e mais ninguém as vê; reaparecem somente quando lhes surge outro problema. Dedicar e, consequentemente, resolver os problemas não está errado, antes pelo contrário. A questão é dedicar exclusivamente para resolver os problemas, não tendo como principal objetivo servir a Deus na construção do Paraíso fazendo as pessoas felizes. Esta é que é a diferença principal entre a dedicação egoísta e dedicação altruísta!

No início da prática da fé, para quem ainda não acredita, é natural que Deus tolere esse nível de dedicação egoísta, concedendo as graças desejadas. No entanto, como Deus é pai, Ele pretende que os seus filhos cresçam, evoluam e amadureçam, saindo desse nível de fé infantil, tornando-se pessoas verdadeiramente altruístas que dediquem desinteressadamente pela felicidade do seu próximo.

É simples de entender este princípio se pensarmos nos nossos filhos que, ao atingirem a idade adulta, continuassem a comportar-se como crianças que só pretendem receber. Ficaríamos felizes de ter filhos assim? Logicamente que não! Como pais, é nosso dever ajudá-los a tornarem-se adultos e independentes, mesmo que não desejem sair da sua zona de conforto. No caminho da fé, acontece precisamente o mesmo.

Sobre a docilidade, gostaria de partilhar a seguinte história com os senhores:

Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que não acreditava na bondade de Deus. Tinha, porém, tinha um secretário conselheiro que constantemente o lembrava dessa verdade. Em todas as situações, dizia:

– Meu soberano, tudo o que Deus faz é bom!
Certo dia, saíram para caçar e um leão atacou o rei. O conselheiro conseguiu matar o animal, porém, não conseguiu evitar que o rei perdesse um dedo da mão.
Furioso pelo sucedido e sem ter gratidão por ter a sua vida salva, mesmo perante os esforços do seu secretário, questionou-o:
– E agora? Tudo o que Deus faz é bom? Se assim fosse, eu não teria sido atacado e não teria perdido o dedo!
Ele respondeu:
– Vossa Majestade, apesar de tudo isso, somente lhe posso dizer que tudo o que Deus faz é bom e, mesmo sem entender, ter perdido um dedo, foi para o seu bem!
O rei, indignado com a resposta, mandou prendê-lo no calabouço a pão e água.
Passado algum tempo, o rei recuperou-se e saiu novamente para caçar, mas desta vez, em terras distantes e desconhecidas. Acabou por ficar prisioneiro de uma tribo selvagem, temidos por fazerem sacrifícios humanos para os seus deuses.
Mal capturaram o rei, começaram a preparar, cheios de júbilo, o ritual do sacrifício. Quando já estava tudo pronto, com o rei diante do altar, o feiticeiro da tribo, ao examiná-lo, ficou furioso:
– Este homem não pode ser sacrificado, pois é defeituoso! Falta-lhe um dedo! Libertem-no!
O rei, ao voltar para o castelo, muito feliz e aliviado, pois, de toda a sua comitiva, foi o único a escapar da morte graças à sua mutilação. Mandou libertar o seu secretário e pediu que o trouxessem à sua presença. Ao vê-lo, abraçou-o com afeto e disse-lhe:
– Meu dileto servo, realmente, tudo o que Deus faz é bom! Já deve ter conhecimento que escapei da morte precisamente por não ter um dos dedos da mão. Porém, tenho uma dúvida: se Deus é tão bom como sempre afirmou, porque terá permitido que você fosse preso no calabouço e tão maltratado?!
E o secretário, a sorrir, respondeu:
– Vossa Majestade, sofri muito no calabouço, mas se tivesse ido junto nessa caçada como sempre fizemos, também teria sido sacrificado junto com os outros, pois não me falta dedo algum! Portanto, nunca se esqueça: “Tudo o que Deus faz é bom!”

Gostaram? Uma lenda bem elucidativa, não acham?

Assim compreendemos que a verdadeira docilidade nasce do entendimento de que Deus está no comando de tudo e tudo o que Ele faz é para o nosso bem, mesmo que no momento não compreendamos o significado das coisas adversas à nossa vontade.

Hoje ouvimos duas maravilhosas Experiências de Fé de dois jovens que, seguindo a orientação da Sede Central do mês passado, baseada no Ensinamento de Deus revelado a Meishu-Sama “Entregue-se a Deus”, conseguiram libertar-se do apego, obtendo maravilhosos resultados.

O Pedro da Costa, com dificuldades em encontrar emprego na sua área profissional, estava muito descontente pois há nove meses que enviava a sua candidatura a mais de 50 empresas, entre escritórios de advocacia, bancos e consultoras fiscais, não sendo sequer contatado para entrevista. Neste clima de desmotivação, não conseguia ter força e inspiração para escrever a sua tese de mestrado.

Apesar de realizar várias práticas básicas da fé, não encontrava saída para o seu problema. Ao conversar com um amigo, também angolano, este disse-lhe que o problema estava na cor da pele e que experimentasse retirar a foto do curriculum. Assim o fez e passou a receber alguns telefonemas para entrevistas em importantes empresas. No entanto, era raro receber algum feedback, e quando isso acontecia, propunham-lhe colocação nas filiais em Angola.

Perante essa situação, resignou-se e começou a questionar Deus e Meishu-Sama sobre o porquê de estar a passar por isso. O seu Ohikari caiu e, ao procurar o Ministro para a reconsagração, este disse-lhe para que ele refletisse e buscasse a causa no seu interior. Nesse encontro, ele desabafou sobre o seu total desânimo pela discriminação que sentia e manifestou a intenção de voltar para Angola. O Ministro retrucou que talvez esse fosse o caminho mais fácil, porém, achava que ele deveria aproveitar esta oportunidade para resgatar uma realidade tão delicada na sociedade atual e esforçar-se ainda mais para se tornar melhor que os seus concorrentes no mercado de trabalho. Assim, orientou-o a agradecer e a materializar a sua gratidão por essa situação que certamente seria para o seu crescimento e evolução. Concluiu a orientação, questionando-o: “Você acredita mais nos Ensinamentos de Deus revelados a Meishu-Sama ou no que as outras pessoas dizem?”

Ao refletir sobre a orientação recebida, conseguiu entregar-se a Deus e desapegar do problema, não se sentindo mais vitimizado. Subjugando o seu ego, decidiu fazer dois donativos especiais: um para pedir perdão pelo seu questionamento e outro, para agradecer a purificação porque já tinha entendido que esta era para o seu bem.

Assim, conseguiu começar a escrever a sua tese e sem muitas dificuldades, concluiu-a em apenas três meses. No mês seguinte, foi chamado para um estágio num Tribunal e logo a seguir, para sua surpresa, teve a tão almejada proposta de emprego numa importante sociedade de advogados em Lisboa, onde se encontra a trabalhar atualmente.

Como fruto da sua mudança e consequente evolução, teve ainda outros dois grandes milagres: recebeu uma significativa quantia inesperada de presente de um amigo da família e este ainda fez obras numa casa para a colocar gratuitamente à sua disposição, deixando assim de pagar aluguer. Inacreditável, os senhores não acham?

Como a sua vida, em tão pouco tempo, mudou mediante o desafio na prática da orientação recebida, apesar das dificuldades continuarem a existir. Comprovou assim a orientação do mês passado:

(…) “As pessoas normalmente tentam perdoar ou esquecer a causa do sofrimento e não conseguem, porque se sentem vítimas ou injustiçadas. O único sentimento capaz de as libertar definitivamente dessa situação é a gratidão, ao reconhecerem que tiveram que passar por isso devido à Lei de Causa e Efeito, ou seja, ao haver uma causa no nosso interior, surgem as purificações necessárias, fruto do amor de Deus, para nos purificar e elevar.”

O jovem Pedro conclui que o apego à preocupação é um grande entrave na nossa evolução e que Deus e Meishu-Sama estão, realmente, no comando de tudo.

De seguida, ouvimos a Experiência de Fé da Flávia do Nascimento que, mesmo atravessando várias situações difíceis na sua vida, nunca deixou de dedicar, e de forma verdadeiramente altruísta, colocou sempre a felicidade das outras pessoas em primeiro plano.

No mês de maio, após participar no Seminário Nacional de preparação para o Culto do Paraíso Terrestre, decidiu realizar dedicações especiais em prol dessa importante data. Definiu fazer donativo diário, ministrar 30 minutos de auto-Johrei e ler 30 minutos de Ensinamentos diariamente, participar semanalmente das reuniões no Núcleo de Johrei de Braga, que fica a 12km da sua casa, e visitar uma vez por semana os frequentadores que acompanhava em Vizela, cidade vizinha a Guimarães. Além disso, fez o compromisso de realizar um donativo especial, participar no Culto do Paraíso Terrestre na Sede Central e continuar a apresentar o Johrei ao maior número possível de pessoas. Assim, relata que conseguiu transmitir Johrei e acompanhar cerca de 10 pessoas, vivenciando muitas experiências.

Apesar de tudo isso, as suas purificações persistiam e começou a questionar-se se valeria a pena continuar a viver em Portugal. Nesse momento, o Ministro orientou-a que essas atribulações eram para o seu crescimento financeiro e emocional e que a sua felicidade não poderia depender de nada nem de ninguém, dependendo apenas de fazer os outros felizes conforme Meishu-Sama nos ensina.

Após refletir sobre a orientação do mês passado, decidiu entregar-se totalmente a Deus e desapegar das situações que a faziam sofrer, pedindo forças para eliminar o egoísmo e apego. Além disso, esforçou-se para colocar todos os setores da sua vida em ordem, seguindo o exemplo do “abotoar da camisa”, com a certeza de que, a partir daí, as coisas se iriam encaminhar.

Assim, decidiu empenhar-se na felicidade das pessoas que acompanha, colocando Deus em 1º lugar; em seguida, descobriu as suas origens portuguesas, começando a cultuar esses Ancestrais e Antepassados; e, por último, priorizando os seus estudos e trabalho, conseguiu um emprego a tempo inteiro, algo que almejava há bastante tempo, na vaga que anteriormente tinha sido rejeitada.

Com isso, entendeu que viver em Portugal é uma grande oportunidade para resgatar as dívidas dos seus Ancestrais e Antepassados e que não está cá por mero acaso. Além disso, pôde confirmar que, quando desapegamos e procuramos aprimorar o nosso ego, conseguimos colocar a nossa vida em ordem. Ao priorizar a evolução espiritual às questões materiais, infalivelmente, tudo corre melhor e o nosso coração tranquiliza-se.

Acho importante ressaltar que estas duas experiências foram fruto do estudo aprofundado e da prática do Ensinamento e da orientação da Sede Central do mês passado, através dos quais eles conseguiram ampliar a sua compreensão da Verdade e através desta, receberam a Luz e a força necessárias para evoluir e mudar o seu interior, ao ponto de que os problemas que estavam a viver, já não tinham mais razão de existir. De dentro para fora, promoveram a mudança para que essas purificações não fossem mais necessárias.

Portanto, vamos este mês, seguindo o exemplo deles, estudar com afinco e seriedade os Ensinamentos e colocá-los em prática, objetivando a nossa mudança e não a solução dos problemas, pois esta será uma consequência natural do nosso crescimento. Precisamos abandonar a ilusão descabida de que os problemas se resolverão mesmo que continuemos a pensar, falar e agir da mesma forma, sem nos auto-aperfeiçoarmos.

Para finalizar, Meishu-Sama conclui o Ensinamento “Liberte-se do ego”, orientando-nos:

(…) “O princípio fundamental da fé consiste em não demonstrar o ego, não mentir e ser dócil.”

Assim, vamos controlar o nosso ego através da prática do altruísmo, reconhecendo que as dificuldades são para o nosso crescimento, evolução e que tudo o que Deus faz é bom, pois Ele está no comando de tudo!

Despeço-me com um forte abraço, desejando a todos um feliz mês, relembrando que neste período de férias, apesar de ser propício para relaxar, descansar e passear, não devemos descurar da constante busca pela evolução espiritual, através do altruísmo, ou seja, onde quer que estejamos, estarmos sempre atentos ao que fazer para deixar as pessoas felizes!

Muito obrigado a todos!

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