Experiência de Fé – Setembro 2017

Experiência de Fé – José Rodrigues da Silva Cajado

“Estava demasiado apegado aos colegas e ao trabalho que vinha desenvolvendo há mais de 20 anos!”

Experiência de Fé - Setembro 2017

Chamo-me José Rodrigues da Silva Cajado, sou membro desde 2013, dedico como missionário no Núcleo de Johrei de Amadora e Sintra e também no design e paginação do Boletim Informativo da IMMP.

Em 2012 a empresa onde trabalhava há cerca de 17 anos declarou-se insolvente. Para trás ficavam os últimos 5 anos cheios de dificuldades e a falta de pagamento de subsídios e ordenados. Quase de imediato fui convidado para integrar uma nova empresa – formada pelos sócios da recém-falida – onde teria as mesmas funções de diretor de arte, mas com mais trabalho e uma equipa reduzida de seis para dois elementos. O ordenado também seria atualizado para a “nova conjuntura” recebendo um corte substancial.

Acabei por aceder à proposta, apesar de ter noção das dificuldades, pois não tinha alternativa de trabalho, mas o facto é que a empresa para onde transitei começou logo, no primeiro ano, a dar também problemas. Descobrimos que os sócios maioritários estavam a desviar os lucros para pagar dívidas da falência anterior. Esta descoberta causou revolta nas pessoas e todos os dias me deparava com conflitos que tinha de arbitrar ou mesmo intervir. Sem me aperceber, fui-me tornando na pessoa que todos os meus colegas procuravam para ajudar a resolver os seus conflitos no trabalho, da mesma maneira que os meus patrões me usavam para intermediar e, na maior parte das vezes, adiar a resolução desses mesmos conflitos.

Pedia que deixassem de se lamuriar, que agradecessem o que tinham e usassem as suas forças de uma maneira mais positiva. Consegui até que a minha colega de departamento viesse à Igreja e dedicasse durante um período. Mas infelizmente, por mais que eu motivasse as pessoas para mais um mês, os sócios da empresa tudo faziam para nos hostilizar.

Pouco a pouco, começou a germinar dentro de mim um sentimento de revolta, até porque os meus colegas, me confidenciavam atos de gestão irresponsável por parte dos sócios da empresa que, apesar de saberem todas as dificuldades que estávamos a passar, continuavam a agir com uma arrogância que magoava. Um dia, num confronto verbal, um dos sócios disse que os empregados tinham de se aguentar se queriam “ajudar a empresa” e que ‘‘quem não quisesse passar por aquilo, era livre de sair”.

Nesse mesmo dia, em conversa com a minha mulher, comecei a arquitetar a saída da empresa. Procurei também a orientação do Ministro e veio a validação que precisava para tomar a decisão que quebraria um elo de ligação com mais de 26 anos. Este pedido foi recebido com muita surpresa e até desagrado pelos sócios, que ainda tentaram negociar para que eu voltasse atrás na decisão. Um deles de vez em quando perguntava: ‘‘mas o que vais fazer com 51 anos para o desemprego?”, ‘‘achas que alguém te vai dar trabalho com essa idade?”, ‘‘tens noção das dificuldades que vais enfrentar?” …

Eu respondia tranquilamente que a decisão tinha sido tomada em família e que todos os cenários tinham sido equacionados. Além de que, feitas as contas, eu já tinha perdido cerca de 40 mil euros em subsídios, ordenados e indemnizações nunca recebidas. Portanto, se se tratava de fazer voluntariado, a partir de agora eu iria escolher a instituição.

No dia 11 de novembro de 2016 saí da empresa – sem ter recebido qualquer indemnização – e passados dois dias inscrevi-me no fundo de desemprego pela primeira vez.

Nesse mesmo dia, apesar de saber que iria passar por dificuldades e da incerteza em relação ao meu futuro, em conversa com o Ministro, assumi com Deus e Meishu-Sama os seguintes compromissos: em vez dos 10% de donativo mensal que fazia regularmente do meu salário, passar a fazer o donativo de gratidão de 20% do subsidio de desemprego, fazer donativo diário e, caso conseguisse arranjar trabalho, fazer o donativo de esforço máximo oferecendo o meu primeiro ordenado como materialização da minha gratidão.

Passados mais ou menos dois meses, decidi também abrir a minha casa para Reuniões de Johrei em Agualva-Cacém (Sintra), após a visita ao meu lar do Presidente da Igreja Messiânica Mundial de Portugal, Reverendo Carlos Eduardo Luciow.

A nível profissional, para além das várias formações que tive através do Centro de Emprego, recorri a todos os meus contactos, enviava emails diariamente e comecei a ajudar gratuitamente pessoas que precisavam dos meus conhecimentos, mas não tinham dinheiro para os contratar.

Durante o período em que estive desempregado, sentia que as coisas não estavam a ser fáceis, mas estranhamente encarava todas as situações com a maior das tranquilidades. Sempre coloquei nas mãos de Deus e Meishu-Sama o meu destino e assumi que aceitaria tudo o que me fosse proporcionado.

Andava eu ainda entretido entre formações quando, no dia 9 de maio, recebo um telefonema de um ex-colega que me perguntou se tinha disponibilidade para reunir com o diretor geral da empresa onde trabalhava. Trata-se de um grupo editorial espanhol que edita em Portugal há 20 anos e que estava disposto a contratar um designer sénior para coordenar um projeto já existente e outro a lançar em outubro. No dia 9 de junho foi validada a minha contratação e no dia 12 comecei a trabalhar relançando, assim, a minha carreira profissional aos 52 anos de idade!

Nestes dois meses no novo local de trabalho, o ambiente e a forma como somos tratados é radicalmente diferente do emprego anterior! Somos todos respeitados, valorizados e, por isso, sentimos muita motivação para trabalhar e dar o nosso melhor dia após dia!

Descobri que aquele sentimento que eu pensava ser de medo de perder o emprego, era afinal apego. Estava demasiado apegado aos colegas e ao trabalho que vinha desenvolvendo há mais de 20 anos. Quando finalmente me libertei, senti uma sensação estranha de alívio e identificava de maneira mais crítica e assertiva a situação vivida.

Pude comprovar também com toda esta vivência, que o facto de não me ter deixado ir abaixo com o desemprego, mas ter continuado a servir, inclusive até aumentar a minha dedicação, gerou confiança no Mundo Espiritual e Meishu-Sama permitiu-me a graça de um novo e maravilhoso emprego aos 52 anos!

Tal como me tinha comprometido no início de novembro, fiz com muita emoção no mês passado o donativo de gratidão integral do meu primeiro salário. Continuo a fazer o donativo diário, retomei o meu donativo mensal de 10% e todos os dias agradeço a dádiva que me foi concedida.

Iniciei também, no dia 14 de agosto, as reuniões de Johrei em minha casa e pretendo dar continuidade com muita gratidão e espírito de missão!

Agradeço o acompanhamento do Ministro e do Reverendo, assim como o apoio total que recebi da minha família, em particular da minha mulher que sempre me apoiou e incentivou. Agradeço a Deus e ao Messias Meishu-Sama a purificação por que passei e a dádiva que me concederam ao permitirem que voltasse a trabalhar na minha área de formação.

Muito obrigado!

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