Experiência de Fé – Maio 2020

Experiência de Fé – Flávia Lopes Sales do Nascimento

“A pandemia fez-me refletir que, se eu não tivesse seguido as orientações, nesta situação de confinamento, a ansiedade teria aumentado ainda mais!”

Chamo-me Flávia Lopes Sales do Nascimento, resido na cidade de Guimarães e dedico no Núcleo de Johrei de Braga.

Mudei-me para Portugal em setembro de 2019, juntamente com o meu marido, após ter sido aprovada no doutoramento e ele no mestrado. Assim, partimos do Brasil com coragem e determinação de mudar de vida e cumprir a nossa missão em Portugal. Decidimos morar em Guimarães, porque é a cidade de uns tios do meu marido. Iniciámos as aulas da faculdade assim que chegámos e arranjámos emprego pouco tempo depois.

Sou membro da Igreja desde criança e onde morava, havia um Johrei Center bem perto de casa, onde sempre dediquei bastante. Quando cheguei, verifiquei que não havia uma Unidade Religiosa na cidade e fiquei um pouco triste, mas em conversa com o Ministro, percebi que na Europa, ainda é difusão pioneira e que a nossa missão é justamente expandir a Obra Divina em todos os lugares. Apesar de morar longe do Núcleo de Johrei mais próximo, que é em Braga, a cerca de 20 km, esforcei-me em integrar as atividades realizadas e também, em Guimarães, na assistência de Johrei a pessoas que conheci no meu trabalho e na família do meu marido. Com o passar do tempo, no entanto, comecei a sentir muito a falta de não ter um Johrei Center próximo, das dedicações e orações diárias. Por isso, decidimos solicitar a Imagem Consagrada de Meishu-Sama, a qual foi entronizada em novembro de 2019.

Entretanto, apesar de me sentir mais acompanhada na Fé, passei a ficar muito aflita com a nossa situação financeira. Nos nossos empregos, recebíamos muito pouco, visto que o meu marido estava em part-times esporádicos e eu só recebia por comissão. Por isso, tinha de trabalhar muito e, desta forma, não estava a conseguir acompanhar devidamente os estudos. Os meus ganhos eram incertos e além disso, sofria muito no trabalho, pois algumas pessoas a quem tentava vender, não eram recetivas e às vezes, até tentavam humilhar-me com piadas e ofensas.

Em fevereiro, o Ministro visitou-nos novamente e nesse dia, tivemos a oportunidade de ir às Igrejas das Padroeiras de Portugal e da cidade, levando Flores de Luz e fizemos oração pedindo permissão para cumprir a nossa missão. Nessa ocasião, relatei-lhe as minhas dificuldades e a minha tristeza por não ter um Johrei Center perto para buscar força. Ele orientou-me a entender que, através da prática de gratidão pelo meu trabalho, por exemplo, também era uma forma de atuar na Obra Divina, agradecendo, principalmente, as situações em que me sentia maltratada e também, esforçar-me para fazer um donativo de gratidão especial por essa situação.

Não foi fácil aceitar a orientação, contudo, procurei mudar o meu sentimento. Agradecer por ter um local para trabalhar, uma equipa que me apoiava e um chefe bastante compreensivo, que acreditava muito em mim. E, especialmente, agradecer às pessoas que passavam na loja e que eu sentia como se elas fossem grosseiras comigo, procurando entender que elas também tinham os seus sofrimentos, encaminhando-os para Meishu-Sama para que recebessem a Luz da Salvação.

Fiz também o desafio sugerido de realizar um donativo de gratidão especial por essa situação, encaminhando também para Meishu-Sama, toda a minha ansiedade e a da minha família, tendo em vista que, grande parte da minha linhagem, sofreu de problemas psicológicos.

Assim, com o passar dos dias, a minha ansiedade foi desaparecendo e opostamente, o meu sentimento de gratidão foi-se fortalecendo, ao ponto de não me sentir mais triste pelas grosserias alheias! Foi uma mudança de 180 graus, passando a sentir-me leve e feliz! Naturalmente, comecei a fazer amizades, e várias pessoas até relataram que só estavam a comprar o produto, por conta da minha simpatia; inclusive, um cliente chegou a dar-me uma gorjeta (do valor da minha comissão), algo que nunca tinha acontecido. Por incrível que pareça, passei a gostar do trabalho e de lidar com as pessoas!

Apesar de me sentir muito melhor, ainda assim, não conseguia dedicar-me completamente aos estudos da faculdade, por ter de trabalhar muitas horas para suportar as despesas; essa situação, fez-me pensar em suspender o curso e adiar o semestre para o ano que vem. No entanto, recebi a graça de ser auxiliada por familiares para continuar a estudar, dedicar-me ao meu curso e assim poder diminuir as minhas horas de trabalho.

Uma semana depois dessa decisão, em Portugal, foi decretado o “Estado de Emergência”. E, por não ter trancado o curso, nesta quarentena, consegui dedicar-me integralmente ao projeto de tese, o qual já finalizei e irei apresentar em maio; situação que também considero uma grande graça, já que tudo isso ocorreu no intervalo de 2 meses. Além disso, inesperadamente, no final de abril, fui contemplada com um auxílio monetário para estudantes estrangeiros da minha Universidade!

Outro milagre que recebemos, é que, por conta da pandemia, o nosso senhorio resolveu não cobrar aluguer, sem nada pedirmos, o que nos trouxe um grande alívio!

Outra graça, é que, além de estar a realizar vendas online com a nova adaptação da empresa onde já trabalhava, no início deste mês de abril, arranjei trabalho à distância numa empresa brasileira para fazer livros digitais; eles estão a gostar do meu trabalho e para mim, nesta fase de pandemia, foi mais um milagre!

Além disso, eu, o meu marido e o senhorio, que também mora no apartamento, estamos a viver em grande harmonia; fizemos juntos uma horta caseira na varanda e realizámos também uma grande limpeza na casa, gerando uma sensação muito harmoniosa. Também já tive a permissão de lhe ministrar Johrei durante uma semana.

Desde que ficámos confinados, participo sempre nos Cultos Diários e Mensais da Sede Central de Portugal e também, de todas as reuniões com os membros do Núcleo de Johrei por videoconferência.

A pandemia fez-me refletir que, se não tivesse seguido as orientações, nesta situação de confinamento, a ansiedade teria aumentado ainda mais, o que, por sua vez, não conseguiria também chegar à decisão de me dedicar aos estudos, arranjar outro emprego complementar e ter a graça de me manter financeiramente. Pude perceber com esta experiência que a dedicação, não se realiza somente no Johrei Center, mas também, no trabalho e no nosso lar, sempre com sentimento de gratidão.

Talvez esteja a começar a compreender porque vim para cá neste momento de grande purificação. O meu sentimento em relação a Portugal e ao povo português, que era de lamúria pela forma como lidava com a grosseria de alguns clientes, modificou e hoje só sinto gratidão por este país que me recebeu.

Tenho como objetivo conseguir o nosso próprio apartamento, para iniciarmos as reuniões de Johrei em Guimarães e com a permissão de Deus e Meishu-Sama, expandir aqui a Obra Divina!

Muito obrigada a Deus e Meishu-Sama, aos meus Antepassados, à minha família, marido e amigos por todo o apoio e ao Ministro pelas orientações e acompanhamento.

Muito obrigada!

Comentários não disponíveis.