Experiência de Fé – Abril 2020

Experiência de Fé – Andreia da Costa Martins

“Aprendi que, quando alguém se eleva dentro de uma família, toda a ancestralidade se eleva!”

Chamo-me Andreia da Costa Martins e dedico no Johrei Center de Coimbra. Conheci a Igreja em fevereiro deste ano, tendo recebido o Ohikari – Medalha da Luz Divina – no início do mês seguinte.

Nasci numa família religiosa, sou a quarta irmã de cinco filhos e sempre senti dificuldade em adaptar-me à minha família, ao seu modo de viver e tradições e nunca consegui entender e aceitar a forma como praticavam a fé, nomeadamente, o facto de acharem ser necessário passar por sacrifícios para poderem ser abençoados pelas Graças Divinas. Achava ainda muito estranho a tristeza e rigidez que se vivia durante as cerimónias religiosas, sentimentos esses que se estendiam para o nosso lar. Ora sentia-me uma estranha, ora achava-os a todos estranhos, desprovidos do verdadeiro afeto, carinho e alegria pela vida, vivendo apenas para o mundo material. Sentia-me um membro desconectado da árvore genealógica. Esta situação levou-me à exaustão até que, aos 17 anos, deixando de viver com os meus pais, abandonei de vez a Igreja e com isso, veio também o distanciamento da minha família.

Depois de muitos anos afastada da vida religiosa, no final de 2019, senti a necessidade de voltar a alimentar o meu lado espiritual e de frequentar uma Igreja. Em Portugal, até então, apenas conhecia as Igrejas tradicionais, tendo voltado a participar de três ou quatro cerimónias religiosas. Senti-me apaziguada e de alguma forma em paz, no entanto, voltou também a tristeza e o peso que me assolavam quando jovem. Entendi assim que não era ali que me iria alimentar espiritualmente.

Conheci a Igreja Messiânica Mundial através de uma amiga, que me convidou a participar no Culto Mensal de Gratidão da Sede Central de Portugal, no mês de fevereiro. Desde então, não consegui deixar de ir à Igreja e de participar nas atividades. A alegria das pessoas no culto, o almoço e as atividades seguintes, surpreenderam-me, contagiaram-me e transportaram-me no tempo, fazendo com que revivesse os tempos felizes de estudante universitária em que convivia com amigos praticantes de religiões hindus e que tanto me ensinaram.

A minha família sempre foi o meu grande desafio, desafio este que entreguei nas mãos de Deus e Meishu-Sama. Entendê-los, entenderem-me, aceitá-los e aceitarem-me, foi e será o meu grande desafio. Sempre me senti deslocada, nem boa nem má, nem melhor nem pior, simplesmente diferente.

A partir da prática da fé messiânica, fui percebendo que o meu papel é precisamente o de mostrar uma nova visão, uma nova consciência. As Flores de Luz foram o primeiro rebento de fé que compartilhei com a minha família. Apesar da minha incerteza de como iriam reagir, num almoço de domingo em casa dos meus pais com os meus irmãos, levei um tabuleiro de Flores de Luz feitas na tarde anterior na Sede Central. Foi como se aquelas pequenas flores irradiassem feixes de Luz na direção de todos os meus familiares, que rapidamente se aproximaram de mim, tendo escolhido cada um a sua, que admiraram e passaram a cuidar. Para minha surpresa, mais tarde, pediram-me mais Flores de Luz. Só então percebi que não os posso forçar a receberem uma mensagem que ainda não estão preparados para entender, mas nesse momento, acreditei e não subestimei o poder de plantar uma pequena semente no coração de cada um.

A minha mãe sempre foi uma pessoa com constantes preocupações, sempre se sentiu muito triste ao longo da sua vida, influenciada pela vida religiosa praticada de sofrimentos, tendo sido raros os momentos de plena alegria que partilhei com ela. A primeira vez que lhe ministrei Johrei, mesmo estranhando, aceitou e disse-me milagrosamente: “essa ‘coisa’ com as mãos que me fizeste, fez-me sentir plena de alegria”. Senti uma alegria enorme por ver mais uma luta vencida, de dar à minha mãe brilho de viver.

Outro dos aspetos que me levaram aproximar da minha mãe foi a minha dedicação na horta da Sede Central, prática que repliquei na horta dos meus pais, ajudando-a a plantar couves! Foi uma tarde muito bem passada, onde voltei a sentir uma grande proximidade com ela e relembrei os tempos de criança quando brincava naquela mesma terra e sentia a minha mãe como a minha grande protetora. Agora, os papéis inverteram-se. Sinto que tenho como missão compartilhar com os meus familiares as práticas da fé messiânica e as alegrias que estou a sentir.

Por último, através da leitura dos Ensinamentos de Deus revelados a Meishu-Sama e da minha participação no Culto aos Antepassados e Reforma da Sede Central, percebi que nasci na família certa, com os pais e irmãos certos. As histórias vividas na minha família trazem crenças, valores e experiências reais que foram contadas e passadas de geração em geração. Percebi que os meus antepassados vivem dentro de mim, a aguardar que alguém os salve.

Aprendi que quando alguém se eleva dentro de uma família, toda a ancestralidade se eleva. Esta tem sido a minha missão, de dedicar pela elevação espiritual da minha família, sempre com mais consciência, Luz e amor.

Mesmo não me entendendo totalmente, a minha família tem vindo aceitar-me, a nossa relação ficou mais próxima, pois de forma simples consegui finalmente chegar ao coração de cada um.

Agradeço a Deus e a Meishu-Sama por estas dádivas que se têm manifestado na minha vida de forma tão clara. Pretendo continuar a dedicar, a participar dos Cultos e materializar a minha gratidão para a construção do Paraíso Terrestre.

Muito obrigada a todos!

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