Ensinamentos do Mês – Fevereiro 2021

ENSINAMENTOS DE DEUS REVELADOS A MEISHU-SAMA

A CULTURA DE “SU”

Antes de explanar sobre este tema, desejo explicar o significado do símbolo “Su” (⦿). Como se pode ver, este é constituído por uma circunferência (◯) e um ponto bem no centro (•). Se fosse apenas isso, não teria grande significado, mas não existe nada tão grande e misterioso como o seu formato, ou seja, a definição desta circunferência. Esta está presente no formato esférico de todas as coisas no Universo, como a Terra, o Sol e a Lua. Até mesmo os espíritos desencarnados, assumem uma forma circular quando se deslocam para outro lugar. Isto é muito bem representado pela expressão “hitodama ”. As divindades também adquirem este aspeto quando se deslocam, mas, no seu caso, transformam-se numa esfera de Luz. Entretanto, no caso de espíritos desencarnados de seres humanos, estes não possuem luz, sendo apenas algo como uma névoa de cor amarela ou branca. A de tonalidade amarela trata-se de um espírito masculino e a branca de um espírito feminino, correspondendo, respetivamente, ao Sol e à Lua.

Deixarei esta explicação de lado, passando agora a escrever sobre o que é mais importante. Naturalmente, o formato do nosso mundo também é circular, mas se fosse apenas essa forma, não passaria de uma simples circunferência sem nada no seu interior. Aplicando isso ao Homem, significa que ele não teria alma. Inserindo-lhe um ponto no centro, ou seja, colocar-lhe a alma, fará com que ele se torne um ser vivo, capaz de desempenhar atividades. Por conseguinte, a circunferência com um ponto no centro simboliza uma forma vazia, na qual se colocou alma. Isso equivale à expressão “colocar espírito”, utilizada por artistas desde a antiguidade. Segundo este raciocínio, pode-se afirmar que o mundo até hoje não tinha um ponto no centro, ou seja, uma alma. Este é o motivo que me levou a escrever, noutra oportunidade, sobre a “cultura sem contorno exterior”.

Esse raciocínio pode ser evidenciado em todos os setores da cultura. Como sempre digo, está presente no tratamento sintomático das doenças, que paralisa as dores e as comichões por meio de injeções e remédios aplicados no local, baixa a febre com gelo ou interrompe a purificação ao tomar medicamentos. Dessa forma, é possível livrar-se temporariamente dos sofrimentos, mas a cura completa é evidentemente impossível porque não se atingiu o âmago da doença e, com o tempo, infalivelmente esta volta a manifestar-se. Por outras palavras, ocorre apenas uma prorrogação dessa enfermidade e, sendo assim, a causa das doenças está no “ponto no centro”, mas, até hoje, isso não havia sido compreendido.

O mesmo acontece em relação aos crimes. Atualmente, o único meio de tentar impedi-los é a aplicação e o cumprimento de duras penas. Trata-se, pois, de um processo semelhante ao tratamento sintomático empregue pela medicina. Por isso, quando a maioria dos criminosos comete um crime, geralmente tende a perpetrar outros, sendo que, dentre eles, existem aqueles que os praticam às dezenas e, em casos extremos, acabam por passar mais tempo na cadeia do que em liberdade. A causa disso está na ausência do “ponto no centro”, ou seja, da alma. O mesmo pode ser dito em relação às guerras. O aumento do poderio militar tira as hipóteses de vitória do inimigo e leva-o a desistir da batalha por um certo tempo. Portanto, não passa de um meio para prorrogar uma guerra e a própria História comprova que, inevitavelmente, ela virá a acontecer mais cedo ou mais tarde. Desta maneira, certamente seremos capazes de compreender que a cultura atual não passa de uma circunferência sem um “ponto no centro”.

Frequentemente, refiro-me à teoria dos “Noventa e nove por cento e um por cento”. Caso o “ponto no centro” venha a ser inserido na circunferência, isso significa a modificação de noventa e nove por cento, graças à inserção de um por cento. Por outras palavras, representa a submissão de noventa e nove por cento do Mal, perante a força de um por cento do Bem. Seria o mesmo que transformar uma circunferência que está prestes a ser pintada totalmente de preto, numa completamente branca, através da força desse um por cento. Aplicando este raciocínio ao mundo, significa colocar uma semente numa civilização vazia, ou seja, inserir-lhe a alma. Com isso, a civilização que até agora só apresentava forma, como se fosse uma existência morta, passará a ter vida e isso será o nascimento de um novo mundo.

10 de setembro de 1952

A FORÇA ABSOLUTA

Em primeiro lugar, é desnecessário dizer que a força de Deus é a fonte da ação de todas as existências no Universo. Ela manifesta o constante nascimento, crescimento e evolução de tudo, além de obviamente, ser responsável pelo movimento e inércia de todas as coisas. Todos os seres, a começar pelo Homem, passando pelas bactérias e animais, nascem e morrem por meio dessa força. Em síntese, ela é um “governante” infinitamente absoluto. Vou parar por aqui, por se tratar de um assunto inesgotável. Contudo, resume-se no facto de o próprio Universo em si ser a força. Penso em descrevê-la sob diversos ângulos.

Antes de mais, analisarei “força” pelo espírito da palavra. Em japonês, “força” escreve-se tchikara. O fonema tchi é “sangue” e “espírito”. Já o fonema kara é “vazio”, “corpo” e “matéria”. Sendo assim, a “força” é algo que nasce com o espírito unido à matéria. Analisando o espírito da palavra “pessoa”, em japonês, escreve-se hito. O fonema hi é “espírito” e o fonema to é “parar”. Por conseguinte, hito é “o espírito parado no corpo”. Dessa forma, “força” é a união entre o espírito e a matéria. Vejamos agora, o ideograma de tchikara (力). A sua ordem de escrita é a seguinte: primeiro faz-se um traço na vertical. Em seguida, um traço horizontal, o que formará uma cruz, sequenciado por um traço levemente inclinado, sendo que sua extremidade será voltada para cima e para dentro. Ou seja, isto significa o surgir de uma ação após o cruzamento entre a vertical e a horizontal, que começa a girar no sentido horário. Eis a razão de sempre afirmar que tanto o espírito das palavras como as letras foram criados por Deus.

Agora vou explicar isso na prática. Em sentido amplo, são duas grandes ideologias do mundo e é desnecessário dizer que estas são os pensamentos espiritualista e materialista, espiritualismo e materialismo ou a cultura espiritual e a cultura material. Tentarei explicá-las, vendo-as pelo aspeto religioso, pois assim será mais fácil de se compreender. Como sempre tenho dito, o surgimento destas deu origem a duas grandes religiões, o Budismo e o Cristianismo. O Budismo é vertical e espiritual, por ter aspeto oriental. Já o Cristianismo, por sua vez, é horizontal e material, por ter aspeto ocidental. Entretanto, havia uma separação entre o vertical e o horizontal no mundo até hoje, motivo pelo qual, a verdadeira força não se manifestou. A maior prova é que a humanidade ainda não foi salva, pois não se obteve a paz nem a unificação mundial.

Com relação a isto, vejamos a História em primeiro lugar. Após a era primitiva, surgiu finalmente algo próximo de um estilo de vida mais humano. Assim, iniciou-se uma fase de idolatria em que primeiro se idolatrou o Sol, seguindo-se a Natureza e os objetos criados pelo Homem, para no fim, o próprio ser humano passar a ser venerado. A partir dessa época, as religiões primitivas começaram a surgir em diversos lugares e entraram, finalmente, no início da era da cultura, em que começou a surgir o Budismo, o Islamismo e o Cristianismo. As duas primeiras, obviamente, não manifestaram a força verdadeira, pois a sua base é vertical, e o Cristianismo também não foi capaz, pois, em contrapartida a sua é horizontal. Pelo facto de as duas primeiras serem tendencionalmente verticais, embora não tenham fracassado, o Budismo restringe-se ao formato que resta dele hoje em dia no Japão e o Islamismo enraizou-se tradicionalmente em determinada região da Ásia. Já o Cristianismo, expandiu-se por grande parte do mundo, por ser horizontal. Contudo, pode-se dizer que não foi bem-sucedido, uma vez que o propósito do Reino dos Céus não se concretizou e restam ainda muitos indícios infernais na atualidade.

Por esse motivo, a concretização de um mundo ideal é, sem dúvida, o objetivo das principais religiões que existiram até hoje, mas presenciamos um estado caótico do mundo e uma horrível realidade de sofrimentos, algo que diverge do que era esperado. Este sonho está muito distante de ser concretizado. É inegável o facto de que a causa dessa situação seja a falta de força, mas como disse anteriormente, isso deve-se à falta do cruzamento entre o vertical e o horizontal. Entretanto, por isto se dever ao tempo, não há o que fazer, por se tratar do Divino Plano.

Gostaria agora de explicar sobre a minha missão, pois facilitará o entendimento do que acabei de expor. As atividades que realizo atualmente estão centralizadas no Johrei. Todos os membros sabem muito bem que isso consiste no facto de colocar próximo ao peito o Ohikari, que contém um papel com um ideograma escrito por mim, para lhes ser concedida a força capaz de curar totalmente até mesmo graves doenças incuráveis, desenganadas pelos médicos. Até hoje, outorguei centenas de milhares de Ohikari. Todavia, a sua força não sofre alteração mesmo que esse número venha a aumentar. Ela não se limita à cura das doenças pois o espírito melhora, o carácter eleva-se, somos salvos de situações de perigo iminente, entre outros. Misterioso é o facto de aumentar o número de pessoas alegres por meio dos incontáveis milagres que acontecem diariamente. Esta força é manifestada a partir do Ohikari. Não tenho a pretensão de vangloriar-me de tais feitos, mas como se trata da pura verdade, creio que não há problema em divulgá-los.

Não é necessário dizer que até hoje, nenhuma pessoa havia demonstrado uma força tão impressionante como esta na História. Não há o que duvidar, pois estes incalculáveis milagres são registados como experiências de fé. Sendo assim, esta força é fruto do cruzamento entre o vertical e o horizontal, à qual podemos referir-nos, em termos budistas, como sendo o “Poder Kannon” ou “Poder da Inteligência” Sagrada e, em termos cristãos, como o “Poder do Messias”. Atualmente, ela é principalmente espiritual, mas certamente chegará o dia em que ela será materialmente manifestada. Nesse momento, evidentemente será alcançado o objetivo de Deus, que é o nascimento da verdadeira cultura, isto é, o cruzamento entre a cultura espiritual do oriente com a cultura material do ocidente e nisso, consiste a Vontade Divina. Este facto tornar-se-á a execução da maior obra de salvação desde a criação do mundo.

16 de janeiro de 1952

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