Ensinamento do Mês – Setembro 2018

ENSINAMENTO DE MEISHU-SAMA

O PARAÍSO É O MUNDO DO BELO

Os fiéis da nossa Igreja estão bem cientes de que o objetivo de Deus é a construção do mundo ideal, de perfeita Verdade, Bem e Belo. Sendo assim, o objetivo de Satanás, Seu antagonista, é obviamente a Falsidade, o Mal e a Fealdade. Falsidade e Mal não necessitam de explicações; portanto, falarei a respeito da Fealdade.

Neste mundo, existem coisas erradas. Há casos, por exemplo, em que a Fealdade se associa à Verdade e ao Bem. Ao ver tais factos, muitas vezes as pessoas fazem deles alvo de admiração e respeito. Em termos mais claros, desde tempos remotos, não são poucas as pessoas que, comendo e vestindo-se precariamente, morando em cabanas, enfim, vivendo uma vida miserável, realizam práticas virtuosas para o bem do próximo e da sociedade. Realmente, se suas condições de vida fossem desfavoráveis, isso seria inevitável para elas poderem sobreviver, mas algumas, mesmo tendo condições para viverem de modo diferente, escolhem espontaneamente tal forma de vida, o que acredito não ser desejável.

Entre elas, encontram-se muitos religiosos que escolhem uma vida de abstinência como meio de aprimoramento, achando ser um meio excelente. Quem vê isso, considera-os pessoas sublimes. Mas, para falar a verdade, esse pensamento não é correto, pois se negligencia um factor importantíssimo, que é o Belo; ou seja, temos Verdade, Bem e Fealdade. Neste sentido, desde que não ultrapassem as condições adequadas a cada indivíduo, as vestes, a alimentação e a moradia do homem devem ser utilizadas da maneira mais bela possível, porque isso está de acordo com a Vontade Divina.

Além do mais, o Belo não é simplesmente uma satisfação individual, mas também o que causa uma sensação agradável aos outros; assim, podemos dizer que é uma espécie de boa ação. Na verdade, quanto mais alto grau de civilização a sociedade alcançar, tudo deverá se tornar mais belo. Pensem bem. Na vida dos selvagens não existe quase nenhuma beleza. Por isso, também podemos dizer que o progresso da civilização é, em parte, o progresso do Belo.

Naturalmente a nível individual, os homens também devem procurar manter uma beleza adequada, para causar boa impressão às demais pessoas; sobretudo as mulheres, devem procurar mostrar-se ainda mais belas. Talvez não seja da minha conta falar-lhes semelhantes coisas, mas é a pura verdade: dentro de casa, deve-se sempre ter o cuidado de não deixar teias de aranha no teto, de conservar o assoalho tão limpo que não haja nem um cisco, de arrumar logo os objetos desagradáveis à vista e deixar os utensílios bem organizados. Assim, tanto os moradores da casa como as visitas sentir-se-ão bem, o sentimento de respeito nascerá naturalmente, e o conceito do chefe da casa também se elevará.

Devemos, ainda, cuidar do aspecto externo das residências. Mas não é preciso gastar dinheiro para isso; se procurarmos conservar nossa casa sempre limpa e em bom estado exteriormente, não só causaremos uma boa impressão às pessoas que passam pela sua frente, como também contribuiremos para influenciar positivamente o plano de turismo nacional. A esse respeito, existe um comentário sobre a Suíça, o qual, em parte, talvez se justifique pelo tamanho do país. De qualquer forma, dizem que, lá, tanto as ruas como as praças públicas são sempre conservadas limpas e por isso a sensação que se tem é realmente a melhor possível. Este é um dos motivos pelos quais o país recebe tantos turistas; portanto, poderíamos tê-lo como exemplo a ser imitado.

As razões expostas mostram que nós, japoneses, também precisamos cultivar o senso do Belo. Através disso, exerceremos boa influência sobre os indivíduos e em grande escala, muito mais do que pensamos, sobre a sociedade e a nação. E mais ainda; através desse ambiente belo, os sentimentos dos cidadãos também se tornarão belos e os crimes e os acontecimentos desagradáveis diminuirão, o que, consequentemente, se tornará um dos fatores determinantes do Paraíso Terrestre.

Finalizando, escreverei a meu respeito. Desde jovem gostava de tudo que dissesse respeito ao Belo. Embora fosse muito pobre, cultivava flores em espaços vazios e quando dispunha de tempo, pintava quadros. Sempre que me era possível, visitava museus e exposições. Na primavera, apreciava as flores e no outono, o bordo. Agora, pela graça de Deus, minha vida se tornou mais afortunada e além de apreciar o Belo como desejo, isso constitui uma ajuda para a realização das atividades da Obra Divina.

Entretanto, para terceiros, que desconhecem esse facto, a minha vida parece exageradamente luxuosa, o que é inevitável. Desde tempos antigos, como sempre digo, os fundadores de religiões faziam a divulgação das doutrinas levando uma vida paupérrima e realizando penitências. Comparando-me com eles, talvez todos achem minhas atitudes um tanto estranhas, pela grande diferença observada. Na verdade, aqueles religiosos estavam na Era da Noite e até mesmo a Religião era divulgada por meios infernais. Chegou, porém, a Época de Transição e atualmente, quando o mundo está para se tornar Dia, a salvação é efetuada num estado paradisíaco, de modo que é necessário refletir profundamente sobre esse ponto.

11 de julho de 1951

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