Culto Mensal de Agradecimento – Sede Central – Agosto 2020

PALESTRA DO PRESIDENTE DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL DE PORTUGAL

REV. CARLOS EDUARDO LUCIOW – AGOSTO 2020

Bom dia a todos!
Espero que os senhores estejam a passar bem.

Gostaria de agradecer a vossa sincera dedicação que nos possibilita expandir cada vez mais a Obra Divina de Deus e Meishu-Sama em Portugal! Muito obrigado!

Como ainda temos restrições para nos reunir fisicamente, o Culto de hoje, pelo quinto mês consecutivo, foi realizado com transmissão online e, também este mês, fiquei muito feliz e grato em conseguir estar na Sede Central, a realizar este Culto com todos os senhores e com os Ministros da Expansão, que também estão presentes, como vossos representantes.

Mesmo que virtualmente, estamos unidos no mesmo sentimento e tenho a certeza de que a Luz deste Altar chegou aos vossos lares. Sinto também que o vosso amor e carinho chegam até mim numa vibração muito intensa. Muito obrigado!

No final do mês passado, depois de quatro meses sem poder viajar, consegui visitar a Alemanha onde, na região de Estugarda, pude visitar alguns lares dos membros para realizarmos Cultos, reuniões, assistência religiosa e houve também a entronização de um Altar do Lar e Mitamaya, seguido da outorga da Luz Divina – Ohikari – de três novos membros. Fiquei muito feliz em constatar o empenho dos membros daquele país na difusão do Johrei e dos Ensinamentos de Deus revelados a Meishu-Sama. Aproveito esta oportunidade para lhes agradecer, do fundo do coração, o carinho e a hospitalidade com que me receberam. Muito obrigado!

Como a cada 15 de junho aumenta a intensidade da Luz Divina, ou seja, do espírito do fogo, o Johrei fica mais forte e assim, hoje gostaria de aprofundar com os senhores o Ensinamento de Deus revelado a Meishu-Sama sobre a devoção na ministração do Johrei.

Meishu-Sama começa este Ensinamento orientando-nos que o objetivo do Johrei é de purificar o corpo espiritual do homem, despertar a sua Natureza Divina e prepará-lo para que possa atravessar este crucial período chamado Juízo Final. Por este motivo, não seria exagero dizer que o Johrei é o Alfa (α) e o Ómega (Ω), princípio e fim, da nossa Igreja.

E por que é chamado de Juízo Final? Porque é o último! Anteriormente, já passamos por outros Juízos, como por exemplo, o Dilúvio Universal, que foi feito pelo espírito da água. Este, agora, justamente por ser o último, será feito pelo espírito do fogo, conforme Meishu-Sama nos orienta no Ensinamento “Juízo Final”, do Alicerce do Paraíso vol. I, em português de Portugal, página 129:

(…) “A água é matéria e o fogo é espírito. Consequentemente, o que estamos a realizar atualmente, ou seja, o Johrei – método de purificação do espírito por meio do espírito – nada mais é que o batismo pelo fogo. Sendo assim, uma vez que o espírito se projeta na matéria, esse batismo exerce uma influência muito grande sobre ela, algo que será uma mudança sem precedentes. Não obstante, devemos estar cientes de que o momento crítico afetará apenas o Mal e não o Bem.” (…)

Ainda no Ensinamento de hoje, Meishu-Sama nos orienta que mesmo que todos os messiânicos usem o Ohikari, através do qual é irradiada a Luz Divina, quando o Johrei é transmitido por alguém de compreensão espiritual mais elevada, o seu poder é mais forte e eficaz e, na mesma pessoa, este poderá variar de tempos em tempos. A Luz é sempre a mesma para todos, a intensidade da sua transmissão é que varia de pessoa para pessoa, em base a alguns fatores, tais como: a dedicação, a humildade, o Makoto e a postura e Sonen corretos. Ainda, é importante que o ministrante esteja à vontade, com os braços e mãos descontraídos, retirando a força humana, com a mente serena, e também, o modo como é tratado o Ohikari, de forma respeitosa, tem influência na transmissão da Luz.

No Culto de hoje, ouvimos a maravilhosa Experiência de Fé da Sra. Julieta dos Santos, que apesar de já ter tido anteriormente muitas experiências na prática da fé, considerava-as meras coincidências, mas, nesta última, aprofundou a sua fé em Deus e Meishu-Sama.

Conhecia o Sr. Joaquim há 18 anos e observando-o triste e distante, decidiu oferecer-lhe Johrei. Apesar de ele não falar muito, todos os dias acabava por ir ao seu encontro no trabalho e ela, além do Johrei, aos poucos, começou a falar-lhe também sobre os Ensinamentos de Deus revelados a Meishu-Sama, o que ela chamava de “aulinhas de catequese”, para lhe “roubar” um sorriso. É admirável esta sua preocupação em tentar fazer sorrir alguém que estava triste!

A sua persistência e paciência foram premiadas quando ele começou a desabafar, contando os seus problemas, de um divórcio conturbado, problemas com os filhos, solidão, etc. Além disso, há 15 anos, ele somente dormia em média de 1 a 2 horas por noite. Tinha também muito apego às campas dos avós, como busca de consolo, pois eles tinham sido, talvez, as únicas pessoas que o tinham amado na vida. Assim, ela orientou-o sobre o Mundo Espiritual e a nossa relação com os Antepassados, conseguindo com que ele desapegasse das campas, estabelecendo uma relação mais feliz com estes, sem sofrimento e lamento, baseada na gratidão. Assim, ele e os Antepassados saíram das trevas do lamento e entraram na Luz da gratidão. A este ponto, ele começou naturalmente a dormir 7 horas por noite, coisa que antes, nem com remédio conseguia. Quando isso aconteceu, ela chorou de alegria; alegria esta que é a verdadeira felicidade que sentimos somente quando somos instrumentos de Deus para fazer o próximo feliz.

Através das Reminiscências, sabemos que Meishu-Sama chorava de alegria ao ouvir os relatos das graças recebidas pelos fiéis. Ela sentiu a mesma alegria de Meishu-Sama. Esta é a verdadeira felicidade!

A partir daí, o Sr. Joaquim também passou a agradecer a Deus por tudo e assim, encontrou a paz de espírito que há muito tinha perdido. No passado, quanto mais ele reclamava, mais era atormentado. Começando a agradecer, passou a entrar Luz na sua vida, confirmando pela enésima vez aquilo que Meishu-Sama nos ensina:

“É realmente verdade que gratidão gera gratidão e lamúria gera lamúria. Isto acontece porque o coração agradecido comunica-se com Deus e o queixoso relaciona-se com Satanás. Assim, quem vive agradecendo, torna-se feliz; quem vive se lamuriando, caminha para a infelicidade.”

Em seguida, ela observou que ele tinha cortado o cabelo, o que demonstrava que havia melhorado a sua autoestima. É admirável o modo como ela, escrupulosamente, estava atenta a tudo o que acontecia com ele. Essa sua atenção é a prova do seu amor Kannon em querer salvá-lo, tal como o amor de mãe que observa todos os detalhes do filho, procurando ver se ele está feliz ou infeliz, alegre ou triste, se precisa de algo, etc.

A este respeito, gostaria de compartilhar com os senhores algo que considero importante na minha formação. Quando recebi o Ohikari, o Ministro responsável da minha Unidade Religiosa, desejando que eu adquirisse convicção no Johrei, incentivava-me a dar assistência religiosa a pessoas doentes, nas suas casas ou em hospitais. Após a assistência de Johrei, ao retornar à Igreja, ele perguntava-me: “Como estava a pessoa?” E eu respondia, de forma vaga: “Está mais ou menos…” Mas ele, voltava a perguntar concretamente: “Como estavam os seus cabelos? Os olhos? A sua pele? As unhas? Tinha febre? Sentia dores?” Perguntas essas que eu não sabia bem o que responder porque não tinha observado nada; ao que ele me dizia que a transmissão do Johrei era a maior demonstração do amor de Deus pelo homem e que eu deveria estar atento, observando a manifestação desse amor naquela pessoa e que, as modificações do seu estado, seriam, para mim, como um “professor” do processo de purificação. Caso não estivesse atento, acompanhando com muita atenção toda e qualquer mudança, estaria a perder grandes aprendizados. Dizia-me também que, mesmo na Igreja, ao transmitir Johrei às pessoas, deveria estar atento pois elas igualmente têm alterações na sua fisionomia, olhar, postura física, etc., e que mesmo sem o dizerem, eu poderia, através destes detalhes, observar a atuação do amor de Deus.

Assim, comecei a observar e a constatar que muitas pessoas chegavam com a fisionomia triste, olhar perdido, testa enrugada de preocupação, ombros arqueados para a frente, cor pálida, etc., e após o recebimento de Johrei, ficavam mais sorridentes, relaxadas, coradas e bem-dispostas. Procurei cada vez mais desenvolver essa perceção sobre o estado de espírito das pessoas, buscando fazer algo para o melhorar. Este é um importante aprendizado, que nos permitirá constatar a atuação de Deus e Meishu-Sama.

Ele também me ensinava que é importantíssimo acompanhar a assistência religiosa do início ao fim, ou seja, até a pessoa receber o milagre ou até partir para o Mundo Espiritual. No primeiro caso, vamos aprender bastante e receber a gratidão da pessoa que se tornará nosso amigo no Mundo Material e, no segundo caso, mesmo sofrendo por acreditar não ter tido resultado, receberemos a gratidão do espírito que graças ao Johrei que lhe transmitimos partiu para um nível superior do Mundo Espiritual e que, de lá, por gratidão, nos apoiará no cumprimento da nossa missão. De uma forma ou de outra, vamos sempre aprender algo e crescer!

Deus não escolhe os capacitados, mas sim, capacita os escolhidos. Como poderemos ter a certeza de ter sido por Ele escolhidos? A prova está no facto de termos recebido o Ohikari. A nossa outorga foi a autorização para iniciarmos essa capacitação para servi-Lo e esta dá-se por intermédio das práticas básicas da fé, a começar pelo Johrei que visa salvar o maior número de pessoas que estejam a sofrer.

Neste aspeto, gostaria de ressaltar que o ponto mais importante é a busca pela aprendizagem para se obter essa qualificação, mais do que simplesmente só resolver o problema. Se assim fizermos, sem nada aprender com a situação, certamente, no futuro, este se reapresentará. Exatamente por isso é que algumas pessoas se perguntam do porquê da sua situação não mudar, vivenciando sempre o mesmo problema. O motivo é que a situação não muda porque quem tem de mudar, não é o problema, mas sim, a própria pessoa. Pretender que o problema mude sem a mudança pessoal, não terá crescimento, evolução e não se irá adquirir essa qualificação.

Voltando à Experiência de Fé, a Sra. Julieta, preocupada que o Sr. Joaquim passasse o Natal sozinho, convidou-o até a passá-lo junto com a sua família, mas, dias depois ele recebeu uma grande graça; a sua mãe, que quase não o procurava, convidou-o, com os filhos, para passarem o Natal na sua casa. Isso demonstra que ele, ao receber Johrei, toda a sua família, no Mundo Espiritual e no Mundo Material, também recebeu Luz através dos elos espirituais; se purificaram e se elevaram junto com ele.

Fiquei muito emocionado ao ouvir que a Sra. Julieta chegou ao ponto de o convidar para passar o Natal com a sua família, demonstrando grande amor por esta pessoa em sofrimento. Fez-me lembrar uma orientação do saudoso Rev. Francisco que dizia que, para conseguirmos salvar uma pessoa, precisamos debruçar-nos no seu sofrimento, e foi exatamente isso que ela fez.

Com este nível de amor, conseguimos transmitir um Johrei que realmente muda o destino da pessoa, conforme afirmou o Sr. Joaquim, dizendo que a sua vida, em dois meses, mudou para melhor, mais do que nos últimos 15 anos.

A este respeito, gostaria de relatar aos senhores um episódio recente, que me deixou feliz, de um membro que recebeu o Ohikari numa difusão em que eu era responsável, lá no Brasil, há mais ou menos 35 anos atrás.

Esse senhor, encontrando um meu conhecido, pediu-lhe que gravasse e me mandasse um vídeo onde ele contava que, no dia da sua outorga, eu lhes havia dito que o Ohikari que estavam a receber era a “chave da porta da felicidade” e que só alcançariam essa porta, percorrendo o caminho do altruísmo, fazendo muitas pessoas felizes, através da ministração do Johrei a quem sofre. Nesse vídeo, ele me agradecia essas palavras pois nunca as havia esquecido e, baseando a sua vida nesse princípio, construiu uma família alicerçada na fé altruísta, de amor ao próximo, como Meishu-Sama nos ensina. Ele entendeu que não bastava carregar consigo a “chave da felicidade”, se percorresse os caminhos do egoísmo e da indiferença ao sofrimento alheio, pois assim, nunca chegaria à porta da felicidade, apesar de possuir a sua chave.

Será que hoje ele seria igualmente feliz se não tivesse conhecido Meishu-Sama, praticado os Ensinamentos revelados por Deus e vivido de forma altruísta? Acredito piamente que, pelo contrário, se ele tivesse vivido em modo egoísta, hoje, com certeza, seria uma pessoa muito infeliz.

A Sra. Julieta, além de carregar a “chave da felicidade”, continuou a percorrer o caminho do altruísmo. Quando o Sr. Joaquim, que se encontrava num estado de desespero ainda maior, com o seu filho desaparecido, em depressão e com tendências suicidas, ela prontamente o acompanhou à Igreja para receber Johrei e fazer oração, entregando o seu sofrimento e deixando a situação nas mãos de Deus e Meishu-Sama.

Nesse mesmo dia, voltando para casa, decidiu tornar-se messiânico para salvar os outros, tal como ele próprio se sentia salvo. Acredito que, graças a essa sua decisão, naquela mesma noite, o seu filho não só voltou para casa, como nunca mais falou em suicídio.

Entretanto, ela ganhou forças também para transmitir Johrei ao seu marido e à sua mãe, coisa que antes não fazia com regularidade, ou seja, dedicando-se à salvação dos outros, ganhou forças e permissão para salvar a própria família e resolver os seus problemas económicos.

No final, ela conclui agradecendo a todos, mas de forma especial, a quem lhe apresentou Meishu-Sama, que engrandeceu e enobreceu a sua vida.

Sem essa pessoa que a encaminhou, nem ela, nem a sua família, nem o Sr. Joaquim e os seus familiares, hoje, teriam a felicidade que estão a sentir. Essa pessoa, onde quer que esteja, está recebendo toda a Luz da gratidão de todas estas pessoas e assim, a elevar-se espiritualmente, junto com a sua família.

Meishu-Sama, num dos períodos mais difíceis da sua vida religiosa, no início da fundação da Igreja em Oomori, para encorajar os membros, escreveu o seguinte poema:

“A partir de agora, estenderei a minha mão em todas as direções.”

Acredito que, quando Meishu-Sama afirma que estenderia a Sua mão, na verdade, Ele estava se referindo a todas as mãos dos membros que, como Seus representantes, as levantassem em Seu nome, dedicando-se à felicidade de alguém. No ato do Johrei, nós estamos simplesmente “emprestando” a nossa mão a Meishu-Sama para que Ele a utilize na salvação daquela pessoa.

Acredito também que, ao dizer “em todas as direções”, Ele estava se referindo à difusão do Johrei a todos os países, povos e culturas.

Com o aumento da Luz, precisamos aperfeiçoar ainda mais a nossa postura e a nossa sintonia com Deus e Meishu-Sama, tendo-O como exemplo de altruísmo na prática, como demonstrado pela Sra. Julieta.

Para concluir, gostaria de dizer que tenho ouvido muita gente comentar que estão a sonhar com o fim da pandemia, mas, acredito que o verdadeiro sonho que os messiânicos devem ter é o de ajudar, socorrer, apoiar, confortar, assistir e encaminhar o maior número possível de pessoas que estejam a sofrer, pois assim, no fim desta, seja quando for, estaremos melhores, mais evoluídos e mais qualificados do que quando começou.

Como disse o grande Fernando Pessoa: “Somos do tamanho dos nossos sonhos.”, que vai de encontro àquilo que Meishu-Sama nos ensina, que o homem depende do seu Sonen, portanto, nós somos do tamanho do nosso Sonen. Ao invés de nos fecharmos em nós próprios e ficar pensando pequeno, vamos seguir o exemplo de Meishu-Sama, que mesmo nos momentos mais difíceis, nunca deixou de ter um Sonen grande, forte e constante.

Com entusiamo e alegria, vamos sonhar em fazer felizes todas as pessoas infelizes que encontrarmos; vamos sonhar em construir uma belíssima casa para Meishu-Sama em Portugal onde todas as pessoas possam vir receber Luz e forças para expandir o Johrei e os Ensinamentos revelados por Deus em todas as direções; vamos sonhar em fazer uma escola de Agricultura Natural Messiânica para formar pessoas capazes de praticar e difundir a Agricultura e alimentação sadias; vamos sonhar em construir um Museu e uma escola de Belas Artes de alto nível, para purificar o sentimento do maior número de pessoas, pois, o Paraíso é o Mundo do Belo.

Espero em breve poder voltar a visitar as Unidades Religiosas e encontrar todos os senhores, pois confesso já sentir uma grande saudade de todos.

Despeço-me com um forte abraço e vos desejo boas férias, lembrando que, mesmo nesse período, com certeza encontraremos muitas pessoas sofrendo e, por isso, vamos juntos percorrer o caminho do altruísmo que nos levará à “porta da felicidade”.

Um bom mês a todos e que a Luz de Deus e Meishu-Sama dê expansão radiante às nossas almas.

Muito obrigado!

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