Culto do Paraíso – Sede Central – Junho 2015

PALESTRA DO PRESIDENTE DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL DE PORTUGAL

MIN. CARLOS EDUARDO LUCIOW

Bom dia a todos!
Os senhores estão todos bem?
(Graças a Deus ao Messias Meishu-Sama!)
Feliz Culto do Paraíso Terrestre a todos!
(Obrigado e igualmente!)

Gostaria, de todo o coração, agradecer a vossa sincera dedicação que nos permite expandir, cada vez mais, a Obra de Salvação de Deus e Meishu-Sama em Portugal. Muito obrigado!

Gostaria de saber quem está aqui hoje pela primeira vez. Podem levantar a mão? Sejam muito bem-vindos! (palmas)

Hoje também, estamos a receber membros que vieram de vários Núcleos e Johrei Center de todo o Portugal: Algarve, Ribatejo, Coimbra, Bustos, Aveiro, Amarante, Lixa, Vila Real, Porto e Vila Nova de Gaia. Sejam todos muito bem-vindos. (palmas)

Hoje é o Dia de Portugal, Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas. Acredito ser muito significativo realizar o Culto do Paraíso Terrestre neste dia; porque assim, também podemos elevar a nossa gratidão aos antepassados que nos legaram esta terra e este povo maravilhoso, de sentimentos nobres e gentis; sem falar nas descobertas, nas artes, na espiritualidade que herdámos dos nossos antepassados portugueses e que estão vivos dentro de nós. Se não fosse por eles nós não seríamos o que somos hoje, portanto vamos agradecer do fundo do coração por tudo isso que eles nos deixaram.

Desde o dia 28 do mês passado estive a viajar pelo norte do País, mais especificamente no distrito do Porto. Visitei os Núcleos de Johrei e as casas dos membros. Também orei em algumas campas de membros pioneiros para agradecer a dedicação deles e comunicar-lhes que, no Mundo Espiritual, devem continuar a dedicar em comunhão de forças connosco.

Estive nas localidades de Perafita, Pampelido, Vilar do Paraíso, Monte dos Burgos, Maia, Gaia e Porto. Em muitos Núcleos pude, mais uma vez, confirmar a alegria e a felicidade das pessoas que se reúnem nas casas dos membros, principalmente dos donos das casas que recebem as pessoas. Os que visitam estão muito felizes, mas os anfitriões estão mais felizes ainda, não é verdade? (Sim) Isso confirma que, quando nós fazemos o próximo feliz, somos nós que nos tornamos felizes.

Também nos dias 30 e 31 de Maio realizámos na Unidade Religiosa do Porto e Gaia, o Seminário para Missionários e Auxiliares de Família de Portugal e Espanha com a participação de 70 pessoas. Devido às instalações no Porto serem menores, tivemos que reduzir para quase metade o número de participantes do seminário do ano passado realizado aqui em Lisboa, mas mesmo assim, foram dois dias de intensa espiritualidade onde pudemos aprofundar o tema: “A construção do Paraíso é a construção do homem paradisíaco”. Fizemos mesas redondas, estudos e dedicações externas. Quem participou pode levantar a mão? Gostaram? (Muito!) Então valeu a pena? (Sim!) Por favor, transmitam aos outros membros, que foram representados pelos senhores, tudo o que aprenderam.

Todas as atividades do Seminário, a palestra e o testemunho de fé estão transcritos minuciosamente no Boletim Especial que hoje está a ser distribuído. Peço a todos que levem o seu Boletim, leiam e estudem, para que durante a semana, nos Johrei Center e Núcleos de Johrei, juntamente com os vossos Ministros, estudem mais uma vez, aprofundem e sobretudo pratiquem.

Todos conhecem a história, que no dia 15 de Junho de 1931, no topo do Monte Nokoguiri, Meishu-Sama e 28 discípulos, etc. Mas neste Seminário estudámos como nós precisamos fazer para nos tornar paradisíacos.

Quando se ouve falar que a construção do Paraíso é a construção do homem paradisíaco, muitos pensam em construir “a outra pessoa” como ser paradisíaco: “Eu tenho que construir meu marido paradisíaco” ou “Eu gostaria de ter uma mulher paradisíaca”; “Quem sabe eu consigo tornar meu vizinho paradisíaco”; “Quem me dera ter um Ministro paradisíaco!” Ficamos sempre querendo que “o outro” seja paradisíaco, mas nesse seminário estudámos como nós podemos nos tornar paradisíacos. Assim, começou um profundo estudo individual da construção do nosso “eu” paradisíaco. Como os senhores observaram, no formulário deste ano, além dos nomes das pessoas que nós queríamos encaminhar, havia também uma espaço para escrever as práticas altruístas que objetivamos praticar no lar, no trabalho, na escola, na sociedade, etc. Eu achei muito interessante os relatos dos Ministros sobre as próprias práticas. Um deles relatou o seguinte: “Quando chegava a casa à noite, a primeira coisa que fazia era ligar a televisão para assistir ao noticiário, ver os jogos de futebol e ouvir os comentários. Como estou o dia todo fora, é nessa hora que a minha mulher quer falar mas eu queria ver televisão e por isso ouvia mas não prestava atenção. Determinei como prática altruísta, ao chegar a casa, não ligar a televisão e ficar a ouvir a minha mulher com atenção”. Muitas vezes ouvimos porque os ouvidos estão “abertos” mas não prestamos atenção no que o outro diz, não é verdade? Mas as mulheres são espertas! Quando chegam ao final da conversa dizem assim: “Ouviste?”, “Ouvi”, “O que é que eu disse?” (risos) E aí não sabemos responder! Isso parece uma coisa boba, insignificante, mas para a esposa, ser ouvida, compreendida e respeitada é muito importante. Outro Ministro relatou que chegava a casa à noite e a mulher sempre estava à espera para jantar. Como ele come depressa, mal se sentava já estava indo embora para fazer outras coisas, como levar o lixo pra rua, ajudar em alguma coisa na casa ou ir para o computador e assim ela acabava ficando a jantar sozinha. Agora, mesmo acabando de jantar primeiro que ela, fica na mesa a conversar e a ouvi-la. Isso também é uma grande prática de altruísmo: respeito, amor e companheirismo. Com certeza essa esposa está muito mais feliz e contente. Quando ele passou a fazer-lhe companhia, os filhos, que antes também se levantavam logo a seguir, sem pedir, também passaram a ficar e agora o jantar é um momento agradável em família. Isso demonstra como através do nosso exemplo, educamos os nossos filhos.

Essas pequenas práticas no lar podem parecer insignificantes mas são muito importantes porque é a partir do lar que se começa a construir o Paraíso. O lar é o lugar mais importante. Meishu-Sama ensinou-nos: “Ao levantar de manhã cedo, a minha primeira preocupação é saber o estado de espírito dos meus familiares”. Porque é que ele dizia isso? Porque ele sabia que, como Messias, Salvador do Mundo, o mundo é composto por países, os países por cidades, as cidades por bairros, os bairros por lares e os lares por famílias. Então, a salvação do mundo começa na família. Não tem como salvar o mundo sem salvar cada família. O Sonen de Meishu-Sama começava com a sua família e depois ia alargando até chegar à salvação do mundo. Mas nós queremos salvar o mundo e não queremos salvar a família, ou pensamos que a família não tem jeito.

Uma outra Ministra, que não brincava com os filhos, passou a fazê-lo 10 minutos por dia; a dar atenção para os filhos como mãe. Dava-lhes comida, limpava a casa, mas não dava carinho, companhia. É muito importante para esses filhos ganhar 10 ou 15 minutos por dia de brincadeira com a mãe. Vão crescer como seres humanos mais carinhosos e seguros de si mesmos, recebendo esse afeto materno.

Eu também, no mês passado, quando voltei para a Itália comecei a fazer as minhas práticas. Em casa, já há muitos anos, todos os dias, eu ministro e recebo Johrei da minha mulher e também fazemos juntos a oração. Ministrava meia hora de Johrei todos os dias e passei a ministrar de 50 minutos a uma hora. Dupliquei o tempo de Johrei e vi que ela ficou muito contente, muito feliz, por ganhar uma hora de Johrei todos os dias. É cansativo, hein? Todos os dias, no fim do dia, às vezes tarde da noite!

Também, como precisava caminhar por motivos de saúde, observei que as ruas da cidade onde eu moro tinham publicidades pelo chão, garrafas plásticas vazias, latas de refrigerantes, papéis de rebuçados, etc. Então, criei o objetivo de limpar a cidade e fazer Limpeza Espiritual enquanto caminhava. Mas é uma cidade pequena, com 6000 habitantes e muitas pessoas se conhecem. O que é que eu fiz? Com vergonha, peguei num saco do lixo, numas luvas e fui para o outro lado da cidade, para não correr o risco de encontrar com alguém conhecido. Abaixo-me para iniciar minha dedicação e ao levantar-me dou de caras com quem? Com o meu vizinho de porta! (risos) Ele vinha de carro, contornando a esquina onde eu estava. Quando me viu, apanhou um susto tão grande que travou o carro. Deve ter pensado: “O meu vizinho virou lixeiro?”. Ele sempre me vê de fato e gravata e agora vê-me a apanhar lixo. O susto foi tanto que até parou o carro. Eu também levei um susto e parei! (risos) Olhamos um para o outro e eu, com o lixo na mão, acenei-lhe e ele cumprimentou-me. Pensei: “Meishu-Sama, estou a entender. Além de fazer Limpeza Espiritual, tenho que treinar a humildade”. Mas não estava ainda bem convencido! Esse negócio de passar vergonha é difícil, não é? No dia seguinte, fui para o outro lado da cidade perto do correio: “Não quero encontrar o vizinho, não!” Quando estou a apanhar o lixo, levanto a cabeça e quem é que está a sair do correio? Um engenheiro que mora no meu prédio e é o presidente da assembleia de condomínio. Ele ficou tão sem graça que virou a cara e não me cumprimentou. Deve ter pensado: “Meu Deus do Céu! A que nível chegou o meu prédio. Está morando um lixeiro lá!”. (risos) Eu observei uma coisa interessante: as pessoas em geral têm até medo desse tipo de gente. Quando estava a apanhar lixo, as mães, com as crianças pela mão, passeando, quando chegavam perto, puxavam as crianças! (risos) Talvez pensassem que eu ia morder a criança. “Só estou a apanhar lixo! Preconceito!” Nos primeiros dias em que fiz limpeza, eu julgava as pessoas que tinham sujado a rua: “Olha esse porco! Olha esse relaxado! Mas que povo porco é este? Mas como é que pode?” Com os maços de cigarro: “Estes fumadores, além de estragarem os pulmões ainda sujam a cidade!” (risos) No terceiro dia mudei o meu Sonen. Eu dizia: “Antepassados fumadores desta pessoa, eu vos entrego ao Messias Meishu-Sama, para que abandonem o vício no Mundo Espiritual, juntamente com o vosso descendente”. Fui fazendo a prática do Sonen e chegou um dia em que eu comecei a agradecer a existência deles e a agradecer o lixo que me permitia dedicar. Quando eu comecei a agradecer ter o lixo e a sujeira, chegou um senhor de idade, muito bem vestido, muito distinto, que se virou para mim e disse assim: “Bravo! Bravo!” (risos) Na hora eu entendi: “Os antepassados aceitaram o meu sentimento”. Antes eu estava a fazer, mas o sentimento não estava correto. O Mundo Espiritual não aceitava a limpeza com aquele sentimento. Quando desenvolvi gratidão, os antepassados aceitaram a dedicação e mandaram esse descendente para agradecer e elogiar. Não basta dedicar, o sentimento tem que ser correto e alinhado com Meishu-Sama. Continuei com essa dedicação, só que é pesado. Nos primeiros dias apanhava trezentos lixos, depois seiscentos, depois oitocentos e cinquenta e hoje em dia estou com mais de mil. Só que ao baixar-me e levantar-me mil vezes, com o meu peso, os joelhos começaram a inchar e a doer. Veio uma vontade grande de desistir, de parar com isso. “Chega, não vou fazer mais!”. Mas falei: “Não posso! A tentação é grande mas não posso!”. Acredito que existem três tipos de pessoas infelizes: A primeira é aquela que não sabe e não pergunta, a segunda é aquela que sabe mas não ensina e a terceira é aquela que ensina mas não pratica. Umas não sabem e não perguntam e ficam na ignorância, as outras sabem mas não ensinam porque são egoístas e a terceira ensina mas ela própria não pratica, é demagoga. “Não posso ser o terceiro tipo porque, se assim for, os meus Ministros, os meus membros, não vão ter força espiritual para praticar. Eles também vão ensinar e não vão praticar”. Obriguei-me a continuar a fazer, mesmo com dores nos joelhos e graças a Deus, hoje, os joelhos desincharam e não doem mais. Era só um teste de Deus para ver se eu estava com sentimento correto de fazer o que ensino. Tenho aprendido muito através desta dedicação e tenho tido muitos resultados através dessas práticas individuais.

Queremos construir o Paraíso mas não nos queremos tornar seres paradisíacos, queremos é educar os outros.

Hoje ouvimos a maravilhosa experiência de fé da senhora Maria Luísa Garcia de Oliveira e Almeida que, como ela mesma contou, no início, queria mudar o marido. Há 20 anos que queria mudar o marido e só piorava! Quando ela me relatou a sua purificação eu disse: “Fique quieta. Não fale nada” É difícil, mas ela conseguiu. Esse já foi o primeiro milagre, porque queremos mudar os outros com a palavra. Se mudar os outros com a palavra fosse possível o mundo já era Paraíso. Desde que o mundo é mundo, que os pais dão bons conselhos aos filhos. Adianta dar bons conselhos aos filhos? Pouco! Porque o filho, no fundo, vai fazer o que ele quer, não é verdade? Ou seja, ele vai fazer o que o nível espiritual dele lhe permite fazer. Então, o que podemos fazer? É dar o exemplo. Falei para ela fazer boas ações ocultas. Com isso, mereceu um trabalho longe de casa que, depois de pagar todas as despesas, sobrava cem euros. Quem é que arranjou aquele trabalho, longe e ruim? Deus e Meishu-Sama! Por quê? Eles queriam testá-la, queriam treiná-la. Quando pedimos as coisas a Deus e a Meishu-Sama, achamos que Eles vão dar-nos aquilo que queremos, do jeito que desejamos. Mas não, Eles vão dar-nos o que precisamos. Esse é um grande erro nosso. No caso da Sra. Luísa Almeida, deu-lhe um salão para trabalhar em que ganhava pouco, longe, sujo e com pessoas conflituosas. O oposto do que qualquer um desejaria, mas logo ela começou a fazer Limpeza Espiritual no salão. Ela podia ter pensado: “Eu estou aqui como cabeleireira. Se eles quiserem limpar o salão que contratem uma empregada de limpeza!”. Não é assim? Eu também posso pensar: “Eu moro nesta cidade e como cidadão pago os impostos. A Câmara Municipal que mande o lixeiro limpar. Porque é que tenho que estar a limpar as ruas?”. Todos nós podemos pensar assim. Mas ela viu como uma missão espiritual de, através da Limpeza Espiritual, limpar a atmosfera espiritual daquele lugar. Começou a distribuir Flores de Luz e a fazer Ikebanas na receção. Quando ofereceu Johrei não aceitaram porque ainda não tinha chegado a hora do Johrei. Para chegarmos ao nível de conseguir ministrar Johrei a alguém, primeiro o nosso nível tem que se elevar e entrar em sintonia com o Messias Meishu-Sama. Nós não ministramos Johrei porque nós queremos, na hora que queremos nem para quem queremos. Nós ministraremos Johrei quando estivermos em sintonia com o Messias Meishu-Sama e Ele manifestar-se-á para a salvação daquela pessoa.

Sobre isso, o nosso Líder Espiritual Kyoshu-Sama, no Culto do Natalício de Meishu-Sama de 2006, orientou-nos:

“Enquanto nós, seres humanos, continuarmos orando desesperadamente buscando a nossa própria salvação ou aquilo que é somente a nossa própria conveniência, que na verdade é fruto de um sentimento pequeno e restrito, fica difícil sermos utilizados por Deus, que possui um sentimento grandioso e amplo. Para receber as pessoas no Paraíso, Deus precisa de cada um de nós e por isso nos uniu a Meishu-Sama, e portanto, é necessário que tenhamos vontade de servi-Lo, em prol da Humanidade, com o sentimento Dele.”

Nós queremos que Meishu-Sama se manifeste, mas se não estivermos em sintonia com o Seu sentimento, Ele não se manifestará. Muita gente quer fazer difusão com o ego e impondo a própria vontade ao invés de ser instrumento do amor de Deus.

No seminário realizado no Porto ouvimos uma experiência de fé que é muito semelhante. Também queria impor a sua vontade ao marido. Quando ela mudou o seu sentimento o marido e tudo ao redor também mudaram. Até a torre de alta tensão foi retirada. Peço que todos leiam essa experiência. (Experiência publicada no boletim nº 20). As pessoas que conseguirem praticar isso vão conseguir grandes resultados na fé.

O sentimento do Paraíso é o sentimento de estar alinhado com Meishu-Sama. Isso é o mais difícil. Ser utilizado é isso. Não podemos utilizar a doutrina nem o Johrei para impor o nosso ego ou a nossa vontade de fazer do jeito que queremos. Essa é a diferença de quem consegue sucesso na difusão e de quem não consegue. Porque um está alinhado com a vontade de Meishu-Sama e o outro está alinhado com o próprio ego ou com a própria vontade. Pode parecer a mesma coisa mas na prática é diferente.

Kyoshu-Sama depois ensina-nos:

“Nós, seres humanos, sem exceção, temos duas facetas, o bem e o mal. No mundo acontecem coisas boas e também ruins. Da mesma forma, dentro do meu sentimento, existem coisas boas e ruins. No salmo de Meishu-Sama que diz assim: “Este mundo material onde se digladiam duas grandes forças, também faz parte da Obra de Deus”, eu acredito que, nesse salmo, Meishu-Sama estava querendo falar a este respeito. Para a concretização dessa obra acredito que Deus Supremo nos uniu a Meishu-Sama e está nos utilizando.”

Estamos unidos a Meishu-Sama e Ele vai utilizar-nos na proporção em que estivermos alinhados com Ele. Se perguntar a alguém se acha que está alinhado com Meishu-Sama teremos a seguinte resposta: “Ah, eu estou!” Há aqui alguém que não está alinhado? Todos acham que sim, mas o que demonstra isso não é a nossa opinião mas sim o nosso resultado. Não é uma avaliação subjetiva mas objetiva. Se tem resultado, está alinhado; se não tem resultado, não está alinhado. É simples. Ninguém precisa julgar ninguém. Cada um verifique os próprios resultados e julgue a si mesmo.

Sobre esse “estar alinhado com Meishu-Sama”, quando entrei para o seminário de formação sacerdotal, em 1978, o nosso amado Revmo. Watanabe contou-nos uma lenda japonesa sobre o Momotarô. Os senhores conhecem essa lenda do Momotarô? Não? Então eu vou contar-lhes.

Há muitos e muitos anos atrás, numa vila distante no interior do Japão, viviam sozinhos um casal de velhinhos e o que mais desejavam na vida era ter um filho. Viviam rezando a Deus, pedindo um filho. Até que, um dia, o velhinho foi para a montanha apanhar lenha e a velhinha foi para o riacho lavar roupa. Daí a pouco ela vê algo boiando sobre as águas e quando se aproximou percebeu que era um grande pêssego. Ficou abismada porque nunca tinha visto um pêssego tão grande. Com muita dificuldade, levou-o para casa, deixando-o em cima da mesa a espera que o marido voltasse. Ao regressar, o marido também ficou surpreso com o tamanho daquele pêssego e disse para a mulher: “Puxa, um pêssego tão grande assim deve ser também muito gostoso. Vamos comê-lo!” Quando ele enfiou a faca para cortar o pêssego, este abriu-se em dois e dentro havia um menino muito bonito, robusto, alegre e sorridente e eles decidiram adotá-lo dando-lhe o nome de Momotarô, que quer dizer “a criança do pêssego”. Os anos se passaram e esse menino cresceu rapidamente tornando-se muito forte, valente e determinado. Um dia, passou pela casinha deles um homem que tinha vindo da capital e comentou que as cidades estavam sendo atormentadas pelos Onis, que são os diabos. Os Onis entravam nas casas, saqueavam, destruíam e devastavam tudo. Momotarô, quando ouviu sobre essa violência, ficou muito indignado e disse: “Eu vou lá derrotar esses diabos”. Os pais ficaram assustados e também com medo porque ele era só uma criança mas, respeitando e admirando a sua valentia, permitiram. A ilha desses diabos era muito longe por isso sua mãe preparou-lhe uns bolinhos de arroz chamados Kibidango e fez-lhe uma marmita para que comesse durante a viagem. Pelo caminho encontrou um cão e como nas lendas os animais falam, este perguntou-lhe: “Onde é que vais?”, “Estou indo à ilha dos diabos, para derrotá-los!”, “E o que é que tens aí na marmita?”, “Eu tenho uns Kibidangos!”, “Dás-me um?” pediu o cão. “Se me deres vou contigo lutar contra os diabos”. Sabendo que o cão é um animal muito fiel, deu-lhe um Kibidango e assim os dois seguiram viagem. Mais à frente encontraram um macaco que também perguntou: “Onde vais?”, “Estou indo à ilha dos diabos.” A mesma história. “O que é que tens aí?”, “Tenho Kibidango”, “Se me deres um Kibidango eu vou contigo”. Sabendo que o macaco é muito ágil e inteligente pensou: “Um parceiro desses ajuda muito”. Então deu-lhe um Kibidango e o macaco juntou-se a eles. Mais adiante encontraram um faisão que também pediu um Kibidango para juntar-se à comitiva. O Momotarô, sabedor que o faisão voava e tinha uma visão aguçada também deu-lhe um Kibidango para que se juntasse a ele. Quando chegaram à ilha dos diabos, havia um castelo muito grande e um portão que não deixava ninguém entrar. Então, o faisão voou e viu que a chave da porta estava do lado de dentro, nisso o macaco disse: “Deixa comigo. Eu vou subir a muralha e abrirei a porta por dentro”. O cão ficou de guarda para o caso de algum diabo aparecer e assim formaram uma equipa. Cada um fazendo uma coisa e o Momotarô liderando os animais. Quando entraram, os diabos apareceram e ao verem uma criança com três bichos, começaram a rir. “O que é que vocês querem?”, “Eu vim aqui para derrotá-los” respondeu o Momotarô. Os diabos achavam uma graça, aquela criança, com seus três bichos querer derrotá-los. Mas o Momotarô falou: “Eu tenho aqui estes Kibidango que me dão a força de cem homens e vou derrotá-los”. Assim, puxou pela espada e lutou até que conseguiu deitar o chefe dos Onis ao chão que, com medo de morrer, se entregou e pediu clemência. Todos os outros também se entregaram. Momotarô, na sua bondade, perdoou, mas fê-lo prometer que nunca mais iria fazer mal a ninguém e que deveria devolver todos os tesouros que havia roubado. E assim foi. Os diabos prometeram que não iam fazer mal a ninguém, ele pegou os tesouros entregou-os à população que tinha sido saqueada e voltou para a sua casa feliz e contente.

Nessa ocasião, o sábio Revmo. Watanabe deu a sua interpretação dessa lenda. Ele disse assim: “Momotarô é Meishu-Sama, os Kibidangos são os Ohikari e os animais somos nós que Meishu-Sama reuniu, cada qual com uma característica e uma virtude diferentes. Liderados por Meishu-Sama, unidos e portando o Ohikari, a Luz Divina, venceremos o mal e conseguiremos construir o Paraíso Terrestre.” É uma das mais famosas lendas infantis do Japão e o Revmo. Watanabe, na sua sabedoria, conseguiu tirar esse grande ensinamento para todos nós.

Fomos escolhidos e reunidos por Meishu-Sama para recebermos o Ohikari e, através da virtude de cada um, servir na Obra Divina. Unidos, conseguiremos vencer o mal, mas precisamos respeitar a liderança de Meishu-Sama, alinharmo-nos com o seu sentimento e cada um respeitar a virtude do outro. Os animais têm virtudes mas também têm defeitos. Se o Momotarô, em vez de ver a virtude dos animais, visse os seus defeitos, ele não teria conseguido vencer. Mas ele viu a virtude de cada um e fê-los trabalhar em equipa, unidos no bem, no lado positivo deles.

Nós também temos o desejo de construir o Paraíso e na nossa unidade religiosa existe um Ministro, os Auxiliares de Família, os outros membros e os frequentadores. Em casa existe o marido, a esposa e os filhos. No trabalho existe o chefe e os colegas. Se nós conseguirmos ver a virtude do outro, conseguiremos unir forças e construir o Paraíso Terreste. Mas se nós nos apegarmos, uns aos defeitos dos outros, não precisaremos nos esforçar muito porque o inferno terrestre já está pronto! (risos)

Agradeço a todos os senhores pela vossa atenção e desejo um bom mês.

Muito obrigado!